Não sendo possível contatar todos os membros do segmento, o candidato deve encontrar-se pessoalmente com indivíduos daquele segmento e suas lideranças (quando houver).

A razão para esta seletividade é que:

  • o segmento pode sentir-se representado pelos membros que se encontraram com o candidato;
  • o candidato pode ouvir o que pensam os integrantes do segmento e falar com eles especificamente sobre os assuntos que lhes interessam;
  • além disso, certos segmentos organizados em associações, sindicatos, sociedades, possuem sua mídia interna; realizam reuniões; seus membros se comunicam entre si; fatores que produzem o efeito multiplicador do contato.

Note que o candidato deve dispender o tempo adequado para cada situação. Por “tempo adequado” deve-se entender aquela porção de tempo necessária para que o contato seja eficiente, nem mais nem menos. Um tempo que demonstre a atenção e importância que o candidato dedicou aos membros daquele segmento.

Visitas apressadas, cujo objetivo limita-se a ser visto, sem oportunidade de conversar, falar, ouvir, conhecer pessoas, não devem ser consideradas como contatos de alta intensidade. Podem até mesmo, em certas situações, serem prejudiciais.

Por outro lado, visitas muito longas são também negativas. Dão a impressão que o candidato não tem muito que fazer, que não é muito solicitado, além de criarem uma intimidade perigosa.

Nestes contatos, o comportamento do candidato é de grande e decisiva importância. Cumprimentar as pessoas, olhá-las nos olhos, e dizer a frase mágica que só ele pode dizer, e que não deve deixar nunca de dizer durante toda a campanha: “Eu preciso do seu voto, preciso do seu apoio”.

Erros de comportamento nestas situações são graves, porque, assim como os acertos, possuem um efeito multiplicativo. O candidato deve, então, adotar, nestes contatos pessoais, um comportamento que o credencie e qualifique para receber os votos daqueles com quem se encontra. Algumas advertências:

1) Conhecer tudo que é importante sobre o evento

O candidato, ao chegar no evento, deve ser “brifado” previamente sobre ele. Compete ao agendador, (se estiver acompanhando o candidato) levar consigo material informativo sobre:

O candidato, antes chegar no evento, deve ser esclarecido previamente sobre o que ocorrerá
  • Data, horário e local do evento. Qual a roupa adequada
  • Tipo de evento e número previsto de pessoas
  • O que se espera do candidato (discurso, visita, etc.)
  • Quais as pessoas que o candidato não pode deixar de cumprimentar/agradecer/mencionar
  • Se o evento está aberto à mídia e quem da mídia estará lá
  • Informações sobre a cidade (bairro/região)

2) Conhecer antecipadamente o trajeto até o evento

Pode se perder tempo valioso se o agendador não dispuser de informações precisas sobre o melhor trajeto para chegar ao local do evento, e o local exato onde o candidato está sendo esperado.

3) Cuidar para não fazer pequenas desconsiderações

Não é raro ocorrer, e até é muito comum, sobretudo no caso de candidatos a cargos majoritários, pequenas desconsiderações da parte do candidato ou de seus auxiliares mais imediatos, para com eleitores e apoiadores.

Elas não ocorrem por deliberada intenção, e sim pelos conflitos de tempo e agenda, que a todo o momento se manifestam na campanha. Compromissos combinados e que são alterados unilateralmente pelo candidato são os exemplos mais freqüentes. Seus apoiadores organizam um evento, dedicam tempo e às vezes recursos para organizá-lo, convidam pessoas para o encontro, e o candidato, seguindo a lógica da maximização do seu tempo, cancela, de uma hora para outra, sua participação, ou reduz seu tempo no evento, manifestando sua pressa em concluí-lo o mais rápido possível, para seguir para o próximo compromisso de sua agenda.

4) Evitar o cancelamento “ex abrupto”.

Tal fato é sempre desgastante, e pode resultar na perda de apoio. A permanência inquieta e impaciente é igualmente desgastante. Novamente o pequeno (do ponto de vista dos planos gerais de campanha) torna-se grande, porque o eleitor fica com a imagem de um candidato antipático, que não dá importância para as pessoas comuns, mesmo as que o apóiam, e que desprestigia suas lideranças locais. Se como candidato age assim, como governante somente poderá ser pior.

5) Deve adotar o grau de informalidade que a situação permite

O candidato não deve ser nem demasiado íntimo, nem demasiado rígido com o eleitor

O candidato não deve ser nem demasiado íntimo, nem demasiado rígido. Ele deve surgir simpático, atencioso, dando a impressão, para quem conversa com ele, que tem todo o tempo do mundo para ouvi-lo. Cabe aos assessores, a função antipática de puxar o candidato, pedindo inclusive a ajuda das pessoas com quem está falando, para que ele possa circular, encontrar-se com todos, e cumprir sua agenda:

6) Nunca mostre pressa e nunca olhe seu relógio

Deixe para seus assessores a tarefa antipática de interromper os contatos para fazê-lo andar.

7) Procure cumprimentar pessoalmente o máximo possível de pessoas

Isto é mais importante do que as reunir num grupo para ouvir você falar. Isto até pode acontecer, depois de ter circulado, conversado e cumprimentado as pessoas, mas não antes.

8) O cumprimento deve ser, sempre que possível físico

Um aperto de mãos, um tapa nas costas, um abraço, de acordo com o grau de relacionamento que tiver, é fundamental. As pesquisas sobre este tema comprovam que o contato físico é um diferencial importante no resultado da comunicação.

9) Nas visitas a fábricas e empresas, esteja na porta da empresa antes do horário do início do expediente

Nunca apareça na saída, quando todos querem é ir logo para suas casas, nem no intervalo do almoço, quando sua visita é um incômodo. No início do expediente, à porta da empresa, cumprimente, entregue literatura de campanha, e, iniciado o expediente, vá embora.

10) Não se faça acompanhar dos donos da empresa, visitando a empresa, durante o trabalho

Isto passa a impressão de que você é candidato do dono, está com os patrões, que lhe concedem este privilégio.

11) Nos encontros e reuniões tenha horários definidos para chegar e sair, e procure cumpri-los

Ficar além do tempo é um erro porque você pode ser visto como um candidato com tempo sobrando, o que é sinal de que não é muito requisitado; ficar por pouco tempo é uma desconsideração; e faltar ao encontro uma grosseria, normalmente punida, por muitos, com a rejeição.

12) Se organize quando for fazer uma visita a um bairro

Para visitar um bairro e se encontrar com as pessoas nas próprias casas delas, exija de sua assessoria antes do programa um detalhado planejamento do seu trajeto, do tempo que está previsto, do material de campanha para levar, e o envio prévio de pessoas para informar da sua chegada, e preparar o ambiente.

Chegando lá, vá de casa em casa (se “pular” alguma esteja certo que ganhou um inimigo). Caso não haja ninguém em casa, redija na hora um breve bilhete dizendo que esteve lá para conversar com eles e que espera contar com o apoio deles.

Para visitar um bairro, é preciso antes preparar o ambiente para a chegada do candidato

Nas visitas às casas não se faça acompanhar de mais de uma pessoa. Evite entrar nas casas (entrar é fácil, difícil é sair), explique que tem muitas visitas a fazer e converse na porta. Evite também longas conversas. Você deve ter uma abordagem básica já treinada para um contato que seja breve, sem ser apressado.

Em cada casa deixe literatura de campanha, peça o voto e o apoio (“Preciso do seu voto…) e deixe para o assessor a tarefa de acertar, quando houver oferta do visitado, detalhes sobre sugestões de outras pessoas a contatar, endereços, disposição para colar cartazes, material de campanha para ele distribuir, etc.”

Membros da família, sobretudo a mulher do candidato, podem também protagonizar contatos de alta intensidade. A mulher do candidato é percebida como a pessoa mais próxima dele. Falar com ela, ser ouvida por ela, é uma forma de chegar ao candidato.

Os procedimentos que devem orientar estes contatos são os mesmos já descritos para o candidato. A mulher do candidato é também, além dele, uma pessoa que pode persuasivamente dizer: “Nós precisamos do seu voto…”. Outros parentes já serão menos eficientes, embora possam ajudar junto aos grupos etários aos quais pertencem.

Assim, os filhos do candidato podem procurar jovens, e os pais do candidato podem encontrar-se com os mais velhos. Finalmente, os cabos eleitorais do candidato podem também fazer contatos de alta intensidade, ainda que com muito menor impacto (sobretudo emocional) sobre os eleitores.

De qualquer forma, cabos eleitorais são pessoas que têm acesso direto ao candidato, são seus auxiliares, e portanto, são canais privilegiados de comunicação. Como o candidato e sua esposa, o cabo eleitoral faz um contato completo: ele ouve e fala. Numa campanha eleitoral, deve-se usar todas as possibilidades de contatos de alta intensidade, pela sua eficácia e por seu efeito multiplicador.