A diferença entre o contato de alta intensidade com o eleitor do de baixa intensidade, é a sua individualização.

Nos contatos de alta intensidade estabelece-se uma relação pessoal e individualizada entre o eleitor e o candidato, ainda que breve e transitória, que permite uma “mão dupla”: o candidato fala para o eleitor, mas o eleitor tem também a oportunidade de falar com o candidato.

Nos contatos de baixa intensidade, a relação entre candidato e eleitor é mediada, não é direta. O candidato se comunica com o eleitor, como um integrante de um segmento social, de um agregado de indivíduos, e não como uma pessoa individual. Como decorrência não há possibilidade, neste tipo de contato, da existência da “mão dupla” na comunicação.

contatos de alta intensidade com o eleitorConceitualmente então, as campanhas deveriam se concentrar na produção de oportunidades para os contatos de alta intensidade. Na realidade, a principal forma de comunicação do candidato com o eleitor, na imensa maioria de eleições, são as formas de comunicação de baixa intensidade.

A razão para esta aparente contradição encontra-se no fato de que, em grandes eleitorados, o contato de alta intensidade levaria o candidato a se comunicar com uma fração ínfima dos eleitores, insuficiente para elegê-lo, o que limita em muito a sua aplicabilidade.

Inversamente, em pequenos eleitorados, ou eleitorados “distritais” (as chamadas bases eleitorais do candidato ao legislativo) os contatos individuais, de alta intensidade, são não somente possíveis, mas por igual necessários e recomendados.

Regras para os contatos de alta intensidade em grandes eleitorados

Supondo-se uma campanha num grande eleitorado, onde o candidato deverá apoiar-se basicamente em contatos de baixa intensidade, os seus contatos individualizados devem ser planejados com antecedência, a partir de critérios estratégicos.

A regra estratégica básica é limitar os contatos de alta intensidade àquelas situações em que só o candidato pode realizar isto é aquelas em que ele ou é insubstituível, ou em que a sua substituição redundaria em resultados pobres, em áreas onde precisa de resultados expressivos.

  1. Levantar fundos com grandes doadores de campanha

A captação de fundos para a campanha com grandes doadores é uma das responsabilidades principais do candidato. Se há uma verdade indiscutível nesta área é que ninguém é mais eficiente para levantar recursos do que o próprio candidato, em contato pessoal com o doador potencial.

Se o candidato delegar esta atribuição à outra pessoa na campanha, os resultados serão sempre muito inferiores do que se ele tomar a si esta função. Como se trata de matéria de importância crucial para a campanha, ele deve fazê-lo. É, pois, óbvio que este é um contato de alta intensidade. É pessoal, individualizado e tem “mão dupla”.

  1. Gerar notícias na mídia

Somente o candidato é notícia, somente ele pode gerar notícias na mídia Para tal ele terá que dedicar parte do seu tempo para contatos individualizados com os jornalistas e repórteres.

  1. Corpo a corpo com eleitores que “representam” setores do seu público alvo, definido pela segmentação do eleitorado

Não será possível fazer “corpo a corpo” (a forma mais comum de contatos de alta intensidade) com todos os eleitores, mas é possível e necessário que o candidato faça “corpo a corpo” nas suas viagens e deslocamentos, e nas visitas a setores do seu eleitorado potencial, isto é aqueles que a segmentação definiu como prioritários para conquistar seus votos.

Assim, se o candidato precisa dos votos de uma região do estado, deve fazer corpo a corpo na região; se o segmento potencial for constituído de jovens, deve encontrar-se com eles nos locais que frequentam e fazer o “corpo a corpo”; se o segmento for trabalhadores, deverá fazer “corpo a corpo” em portas de fábrica (na chegada ao trabalho, nunca na saída).

É claro que, mesmo encontrando-se com setores segmentados, sempre este contato pessoal será limitado do ponto de vista da quantidade. Entretanto, sendo setores segmentados, os indivíduos tendem a possuir maior interação entre si, possuem alguns interesses em comum, pertencem à mesma associação, podendo então se sentir representados por aqueles que foram alvo do “corpo a corpo” com o candidato. Afinal, o candidato deu importância a eles.

Além disso, estes contatos, criteriosa e seletivamente, decididos produzem imagens que poderão ser aproveitadas na propaganda impressa e na TV, como indicação da popularidade do candidato, de sua aceitação pelas pessoas, de seu interesse nelas.

  1. Contatos com políticos e cabos eleitorais

O outro setor que exige contatos de alta intensidade é o dos políticos e cabos eleitorais do candidato.

Nestes casos a individualização e a “mão dupla” são essenciais, indispensáveis e justificam a alocação de tempo do candidato para os contatos. Políticos e cabos eleitorais são multiplicadores de votos, mas exigem atenção especial. Exigem ser ouvidos e não apenas ouvir, querem explicações, informações, e querem ouvir do candidato e não de seus auxiliares.

Assim, dedicando seu tempo para contatos de alta intensidade nestas 4 áreas, o candidato estará fazendo um investimento estratégico do seu tempo. Em todos os casos mencionados, há uma característica que é comum: a sua capacidade de multiplicação.

O resultado de um contato pessoal bem-sucedido, nestas áreas, é a multiplicação do seu impacto sobre eleitores não contatados pessoalmente embora conectados por intermediários de suas relações.