É muito comum no período eleitoral, fazer campanha para um eleitor abstrato ao invés do eleitor real.

Há campanhas que direcionam sua comunicação eleitoral para um eleitor que não existe na vida real e que não passa de uma criação mental idealizada pelo candidato e por seus auxiliares.

O que sabemos da “cabeça” do eleitor:

O eleitor real, não é demais insistir, é um cidadão comum, mais interessado e mais envolvido com suas questões pessoais do que com as grandes questões da política.

Por isso ele é um eleitor com características como as seguintes:

  • Baixa informação sobre política;
  • Com pouco interesse nos assuntos políticos; 
  • Com tempo reduzido para se informar sobre política;
  • É mais emocional que racional nas escolhas políticas;
  • Mais local que regional ou nacional;
  • Desconfiado, (pé atrás) cético, “treinado em decepções”;
  • Sem paciência para matérias complicadas, longas e numéricas;
  • Sujeito a um “bombardeio” de informações, sobre fatos, números, propostas, declarações, pesquisas, da parte de todos os candidatos;
  • Em consequência com enorme dificuldade e desinteresse de memorização de projetos, candidatos, números e partidos;
  • Submetido a “pressões cruzadas” de pessoas que lhe são afetivamente próximas e que, com candidatos opostos, competem pelo seu voto;
  • Que, à exceção da eleição, em razão do voto obrigatório, tem muito baixa participação política.

O que não sabemos da “cabeça” do eleitor

Mais importante, entretanto é adquirir informações sobre o que não sabemos a respeito da “cabeça do eleitor” e que tem influência sobre sua decisão de voto naquela eleição.

O instrumento adequado para conhecer o que pensa o eleitor, como elabora as informações e como chega a uma decisão de voto é a pesquisa de opinião.

Não se pode mais trabalhar com “palpites” e opiniões sobre matérias, com relação às quais podemos ter informações confiáveis.

Cada eleição é diferente de todas as demais. Em cada eleição o cenário é único, por conta do momento em que ocorre e pelos personagens que nela estão envolvidos.

Precisamos saber quais os sentimentos mais vivos e fortes do eleitor, em relação ao momento histórico em que ocorre a eleição, como, por exemplo:

  • Esperança/desilusão
  • Mudança/ continuidade
  • Otimismo/pessimismo
  • Satisfação/insatisfação
  • Segurança/ temores
  • Importante/irrelevante

Em relação aos diferentes candidatos e a você:

  • Simpatia/antipatia
  • Adesão/rejeição
  • Admiração/hostilidade

Em relação à avaliação das autoridades no poder:

  • Positivas/negativas

Além desses diferentes sentimentos que podem dominar os eleitores é importante investigar:

  • Quais as suas prioridades e necessidades
  • Como adquirem as informações políticas
  • Quem pode influenciar seu voto – negativa ou favoravelmente.

Como se pode ver, há muito mais a explorar numa pesquisa de opinião do que apenas a intenção de voto. Compreender o que está em jogo na eleição e como anda a cabeça e o sentimento do eleitor são peças chaves fundamentais para colocar sua campanha em sintonia com seu eleitorado!

Há mais por saber, como o conjunto de temas que circunstanciam a eleição e que são mais peculiares à sua cidade, região, estado; ou a questões nacionais; ao a questões morais, que, dependendo da importância que assumiram naquela eleição, você deverá investigar.