A comunicação humana, para os efeitos de uma análise política, pode ser dividida em duas formas: comunicação altruísta e comunicação interessada.

  • A Comunicação Altruísta
  • A Comunicação Interessada.

A comunicação altruísta resulta de uma intenção generosa, isto é, o interesse do “bem” da pessoa, e não o interesse do comunicador. Por essa razão é a comunicação característica do amor, da religião, da educação.

Já a comunicação política, (assim como a dos negócios), enquadra-se naquilo que se pode chamar de comunicação interessada, isto é, aquela que visa levar os ouvintes a adotar uma atitude do interesse do orador.

Na comunicação política, A (candidato) comunica-se com B (eleitor) porque está interessado em obter algo que este possui (voto p. ex.). De sua parte, B aceita a comunicação, porque A possui algo que pode lhe interessar (obra, acesso ao poder p.ex.).

Porque é tão importante caracterizar a comunicação política como um tipo de comunicação interessada? Porque a comunicação interessada está na origem da maioria das características da política.

Um político em campanha eleitoral, assim como o vendedor em campanha de vendas dirige-se ao eleitor/consumidor por que está interessado em obter algo que o eleitor ou o comprador possui (voto/transação); e o eleitor/comprador aceita o contato por que o político/vendedor possui algo que pode lhe interessar (realizações/produto).

A própria “estrutura da situação” de uma campanha eleitoral – a competição por votos, da parte dos candidatos isto é, a escolha de um dentre vários candidatos – já instaura uma “relação interessada” do candidato em relação ao eleitor, do ponto de vista deste último.

Esta relação predispõe o eleitor a adotar uma posição defensiva, que assume a forma de “sovinice”, ceticismo e desconfiança em relação à entrega dos recursos cobiçados pelo candidato (votos).

A maioria dos politicos reage à essa resistência, dissimulando seu interesse e usando a oratória do Bem Comum, para revestir a busca interessada do voto numa causa aparentemente altruísta, nobre, e de interesse geral.

É nesse jogo que o verdadeiro político revela suas qualidades, ao conseguir desmobilizar a reação de defesa do eleitor para, mediante seu poder de convencimento, conquistar aquele voto.

O político precisa superar essa reação inicial de defesa e ceticismo do eleitor, afim de que seus argumentos possam ser apreciados com boa vontade, ou, pelo menos, com razoável interesse e neutralidade inicial.

A dissimulação, que esconde o interesse pessoal sob as aparências de um interesse coletivo, é a resposta de muitos políticos àquela percepção social que o define como alguém que está a se aproveitar de qualquer oportunidade, “para vender o seu peixe”, como se diz na linguagem popular.

Assim, o discurso político, a menos que seja feito para um público de “fiéis”, já previamente identificados com as idéias e a pessoa do orador, sempre enfrentará uma resistência silenciosa, que funciona como uma defesa contra a persuasão.

A publicidade de campanha deve então partir desta percepção e apresentar uma comunicação que seja percebida como atraente, verdadeira e que seja do interesse do eleitor;

Saber como desmobilizar a desconfiança, como despertar a atenção, como conquistar a credibilidade, são condições mínimas, mas indispensáveis para conquistar o voto.

Algumas advertências para reduzir o grau de desconfiança:

  • Entenda e aceite a realidade diária dos cidadãos
    (pouco interesse e pouco tempo disponível para a política);
  • Tenha algo para comunicar que seja relevante para aquelas pessoas a quem você se dirige;
  • Utilize os meios de comunicação que eles usam mais: rádio, material impresso, TV, internet;
  • Construa sua mensagem de acordo com os bons padrões desses meios de comunicação;
  • Seja sucinto e atraente;
  • Use a criatividade, a emoção e as estruturas narrativas que o cidadão já conhece;

É fundamental levar em conta nessa comunicação a estrutura da situação determinada pela natureza interessada (interesseira) da comunicação. Algumas advertências:

  1. Esteja consciente de que a sua comunicação é interessada e assim será percebida pelo eleitor, o que implica em conquistar a atenção, desmobilizar a desconfiança e derrubar a barreira de defesa.
  2. Nunca considere óbvios e antecipadamente assegurados o interesse e a atenção do eleitor. Você terá que conquista-los.
  3. Não basta conquistar a atenção. É preciso desmobilizar a desconfiança. Aqui entram em possível conflito a sovinice do eleitor e a ansiedade do candidato.
  4. Desmobilizada a desconfiança, é preciso derrubar a barreira de defesa. Como o candidato não tem muito tempo para convencer cada eleitor é fundamental que sua campanha e sua imagem encontrem nexos emocionais com os eleitores. Não é apenas a publicidade que individualiza o contato pessoal. O eleitor também opera esta mudança de qualidade na comunicação, ao identificar-se com o candidato em razão da simpatia, sintonia de prioridades e sentimentos compartilhados.
  5. Crie um clima favorável para apresentar seu argumento:
    • A ideia central não pode ser tratada de golpe, subitamente;
    • Ela exige ume preparação prévia, o clima para que ela seja apresentada no momento certo para produzir o efeito desejado.
  1. Apresente suas principais propostas (não mais que duas) sempre na ótica do que o eleitor mais valoriza;
  2. Se você pretende falar sobre um problema, comece relacionando-o com a vida das pessoas a quem você se dirige, e valorize-o, descreva-o, ilustre-o, apresente exemplos.
  3. Não esqueça que “as pessoas tendem a dar mais atenção à doença e aos seus sintomas, do que à cura”
    • Faça um diagnóstico preciso.
    • Só depois apresente a sua solução.
    • Não prometa o que você não tem forte convicção que poderá realizar.
  1. Crie uma relação especial com seu público. É importante para criar a relação com a audiência que você olhe para eles enquanto fala.
  2. Seja flexível e preparado para surpresas: Uma reunião política sempre possui seus imponderáveis. Navegue em meio a estes imprevistos com bom humor, paciência e serenidade.