Widget Image
SIGA-NOS

A pátria de Rui Barbosa

Nesse discurso, Rui apresenta sua definição de pátria, num dos momentos mais conhecidos de sua oratória cívica.

Embora o texto encerre tal natureza e haja sido pronunciado numa solenidade de formatura de jovens, é possível identificar ali as sementes de sua campanha civilista, lançada anos mais tarde.

A pátria não é um “monopólio”, a pátria são “os que não conspiram, os que não sublevam”, são exemplos de afirmações que já assinalam aquelas convicções democráticas mais profundas de Rui.

Não foram poucas as ocasiões em que se tentou fazer da pátria e de seus símbolos uma exclusividade de uma determinada classe, corporação e ideologia.

A definição de Rui Barbosa sobre a pátria, encarada não como uma manifestação de um ufanismo fácil, mas sim como uma vigorosa afirmação da abrangência universal do conceito – acima de todas as divisões políticas, econômicas e religiosas – é perene e está profundamente ligada ao conceito de democracia, formulada numa oratória clássica e elegante.

Trecho do discurso sobre a Pátria de Rui Barbosa

“A pátria não é ninguém: são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à ideia, à palavra, à associação. A Pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo: é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade.

“Os que a servem são os que não invejam, os que não infamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não se acobardam, mas resistem, mas ensinam, mas esforçam, mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a 19admiração, o entusiasmo.

“Porque todos os sentimentos grandes são benignos, e residem originariamente no amor. No próprio patriotismo armado o mais difícil da vocação, e a sua dignidade, não está no matar, mas no morrer. A guerra, legitimamente, não pode ser o extermínio, nem a ambição: é simplesmente a defesa. Além desses limites, seria um flagelo bárbaro, que o patriotismo repudia.”