Este foi o discurso de posse de Roosevelt no primeiro de seus quatro mandatos como Presidente da República dos EUA. Foi também o mais marcante por significar a resposta de Roosevelt ao desafio da crise econômica de 1929.

Ficou conhecido pela frase que, mais do que um argumento, expressava uma atitude de confiança e de coragem para enfrentar as incertezas, os temores e as consequências sociais de uma crise econômica de surpreendente gravidade:

“A única coisa que devemos temer é o próprio medo”.

(4 de março de 1933)

Roosevelt se reelegeria em 1936, 1940 e 1944. Faria inúmeros discursos em variadas situações, mas nenhum alcançaria a grandeza deste.

A excelência não se encontrava exclusivamente no texto, estava na sua perfeita correspondência ao momento que o país vivia e sua sensibilidade para se dirigir às expectativas de um povo atordoado por uma situação de desastre econômico que o afetava na sua vida pessoal e familiar.

O povo, mais que nunca esperava por um líder que lhe desse esperança e confiança. Roosevelt não os decepcionou. Criou o New Deal (medidas de urgência para enfrentar as consequências da crise), manteve os EUA fora de II Guerra até o ataque de Pearl Harbor em 1941, participou das conferências com Churchill e Stalin, permanecendo no cargo até 12 de abril de1945 quando morreu de uma hemorragia cerebral.

O discurso

“Este é um dia de comemoração nacional. Estou convencido que meus concidadãos esperam que no meu ingresso na Presidência da República eu me dirija a eles com franqueza e uma decisão que a presente situação de nossa nação exige.

Este é um momento de falar a verdade, toda a verdade, francamente e corajosamente. (…) Assim, primeiro que tudo quero afirmar minha firme convicção de que a única coisa que devemos temer é o próprio medo – aquele terror injustificado, sem nome e irracional que paralisa os esforços necessários para converter os recuos em avanços.

Em todas e em cada uma das horas difíceis da nossa vida nacional uma liderança de franqueza e vigor as enfrentou, contando com a compreensão e apoio do povo, indispensáveis para a vitória.

Estou convencido que vocês darão aquele apoio à liderança nestes atuais críticos dias.

Franklin Delano Roosevelt
Franklin Delano Roosevelt (1929)

É com este espírito que, da minha parte assim como da parte de vocês vamos enfrentar nossas dificuldades. Elas se referem Graças a Deus, somente a coisas materiais. (…) Mais urgente, entretanto, é o desemprego. Cidadãos sem emprego enfrentam o sombrio problema da existência e, um grande número deles sacrificam-se para obter um reduzido retorno. Somente um tolo otimista negaria as terríveis realidades do momento.

Mas assim mesmo nossas angústias não vêm de uma carência de substância. Não fomos atingidos por uma praga de gafanhotos. Comparadas com os perigos que nossos antepassados superaram porque eles tinham fé e não se assustavam, nós temos muito ainda para agradecer. (…)

Os especuladores financeiros fugiram de seus elevados assentos no templo da civilização. Nós agora podemos restaurar nele as antigas verdades.

A medida do nosso sucesso na restauração estará no grau de aplicação de valores sociais mais nobres do que o mero lucro monetário. A felicidade não está na mera posse de dinheiro; ela está na alegria da realização, na emoção do esforço criativo. (…) Esta restauração contudo não pode se limitar apenas a mudanças éticas. Esta nação pede por ações e ações agora.

Nossa mais importante tarefa prioritária é por o povo desempregado a trabalhar. Este não é um problema insolúvel se o encararmos sabiamente e corajosamente.

Podemos realizá-lo em parte fazendo o recrutamento dos trabalhadores pelo governo, tratando esta tarefa como a trataríamos numa emergência de guerra. (…)

O pensamento básico que orienta estas medidas específicas para a recuperação nacional não são, entretanto estreitamente nacionalistas. (…) É o melhor caminho para esta recuperação, a forma mais imediata de ação, a mais sólida segurança de que a recuperação vai durar.

No que se refere à política internacional, eu vou dedicar esta nação à política do bom vizinho- aquele que respeita suas obrigações e respeita a santidade dos seus acordos com um mundo de vizinhos. (…)

Com este juramento feito, eu assumo sem hesitação a liderança deste grande exército do nosso povo dedicado a um disciplinado ataque aos nossos problemas. (…) Estou preparado, sob o meu dever constitucional, para recomendar as medidas que uma nação abalada, em meio a um mundo abalado e desesperado, espera e requer.

(…), mas, na hipótese de que o Congresso não tome as medidas necessárias e que a emergência nacional continue crítica, não vou me evadir do claro dever que me confrontará. Eu pedirei então ao Congresso pelo instrumento remanescente para enfrentar a crise: amplos poderes executivos para conduzir a guerra contra a emergência, com poderes tão grandes quanto os que me seriam atribuídos se estivéssemos sendo invadidos por um inimigo estrangeiro.

Devolverei em coragem e devoção a confiança que depositam em mim. Não posso fazer menos. (…)

Nesta homenagem a uma nação nós com humildade pedimos as bençãos de Deus. Que ele proteja cada um de nós.

Que ele me guie nos dias que estão por vir.”