Cacoetes são tiques, manias, hábitos que, como gestos, fonemas ou palavras, se interpõem e se intrometem no falar, de forma repetitiva e sem qualquer relação lógica com o assunto tratado.

Provêm de uma resposta não consciente a diferentes estímulos psicológicos. Dentre esses, os sentimentos de insegurança, a necessidade de criar um espaço de tempo para pensar o que vai dizer em sequência, a busca de aprovação do auditório para seguir naquela direção e, por fim, um hábito de falar adquirido na vida.

Cacoetes verbais são vícios no falar que precisam ser corrigidos. Exemplos de cacoetes verbais são expressões obsessivamente repetidas a cada pausa, como “hahn”; “quer dizer”; “praticamente”; “né”; “então”; “daí”; “tá sabendo”, “não é verdade?”…

Como corrigi-los? Primeiramente, ficando consciente do problema; a seguir tomando a decisão de substituir por um sinônimo do nosso banco geral de vocábulos, aquela palavra ou expressão; depois fixando essa decisão na memória; e por fim, permanecendo atento para perceber quando você incide novamente no erro, para corrigi-lo – pelo menos mentalmente – tão logo o pronuncie.

Este procedimento vai conseguir que sempre que viermos a pronunciar aquela expressão ou palavra, ela retorne à nossa consciência, como um alerta, como se sua pronúncia houvesse sido feita em voz muito mais alta.

Consciente pela ação da memória, a correção se fará instantaneamente. A repetição desse processo vai no mínimo deixar-nos mais alertas para o problema e, na maioria dos casos vai evitar a repetição obsessiva daquela expressão ou palavra da nossa linguagem.

falar em públicoOutro tipo de cacoete verbal que prejudica o discurso, e pode criar uma situação de ridículo, é o “cacófato”. Cacófatos são rimas que decorrem da fusão entre o fim de uma palavra e o início de outra, que se estabelecem ao falar, resultando em uma terceira palavra imprópria para o discurso, quando não grosseira, vulgar e até mesmo obscena. Outro tipo ainda é o abuso do “lugar comum”.

Chamo de “abuso do lugar comum” a utilização de palavras e expressões, cujo uso abusivo decorre de sua capacidade de resumir idéias e de não comprometer quem as usa com qualquer posição controvertida e que, por essas razões, são usadas habitualmente nos discursos.

São expressões que, de tão previsíveis, podem ser adivinhados pelo ouvinte, conforme a sequência da frase. Embora não impliquem em incorreção de linguagem, são também vícios que retiram do discurso, sua atração, originalidade, surpresa.

Exemplos de lugar comum na linguagem política são, entre muitos outros, o uso exagerado de termos como: “bem comum”; “inserido no contexto”; “os aspectos político, econômico e social”; “a lei maior”; “como dizia ‘fulano de tal’”; etc.

Cacoetes físicos, por fim, são gestos, posturas, trejeitos, expressões faciais, executados não intencionalmente pelo orador ao falar. Assim como os cacoetes verbais, são gestos que se intrometem de forma repetitiva no discurso, sem qualquer relação com o que está sendo dito, mas distraindo a atenção dos ouvintes e chegando, em certos casos a provocar o riso e o ridículo.

Alguns cacoetes físicos mais comuns são:

– Desconforto com as mãos. Não saber o que fazer com elas: mão no bolso, na cintura, braços cruzados no peito;

– Gestos espalhafatosos, quando, como regra, gestos com os braços não devem subir além da cabeça, nem baixar além da cintura;

– Reações corporais descontroladas, como movimentos súbitos da cabeça para o lado ou para cima;

– Esgares na região dos lábios; ficar com o olhar focado para cima;

– Por e tirar os óculos a todo o momento;

– Passar a mão no rosto, na barba, no queixo no cabelo;

– Ajeitar o paletó, ou tentar acomodar melhor o traje de forma repetitiva.

Há outros, muitos outros cacoetes verbais e físicos. Descubra os seus e os corrija.