O pai fundador da nação americana é, sem dúvida, George Washington. Foi o comandante do exército Continental na luta pela independência contra a Inglaterra, foi eleito unanimemente seu primeiro presidente, presidiu a convenção constitucional, emprestou seu nome para a capital do país e é celebrado por inúmeros monumentos através de todo o país, com sua imagem impressa na nota de um dólar, além de ocupar um papel singular na história americana como “Pai da nação”, homenagem que lhe foi prestada quando ainda era vivo.

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George Washington (escultura em pedra Mount Rushmore)

Poucos, muito poucos, líderes nacionais alcançaram o patamar de consagração de Washington. Sua biografia passa a impressão que o pequeno George já nasceu maduro, sério e responsável. Em meio a personagens menos formais como Jefferson, Madison, Hamilton, Adams, Benjamin Franklin, Washington se destaca como uma pessoa séria e extremamente formal.

Suas qualidades já eram reconhecidas desde que era um jovem. O general Braddock, sob quem Washington lutou na guerra contra os franceses, assim o descreveu numa carta a um amigo:

“O sr. Washington é seu conhecido? Se não, eu recomendo a fazer amizade com ele na sua primeira oportunidade. Ele deve ter 23 anos, sua maneira de ser é agradável e simpática, prometendo espírito e julgamento. Ele é acessível e possui um comportamento digno ao mesmo tempo em que demonstra autoconfiança e decisão. Ele me parece ser um jovem de caráter extraordinário e acredito que está destinado a desempenhar um papel importante em nosso país”.

Quando jovem ele teve uma vida difícil e perturbada. Seu pai morreu quando ele tinha 11 anos. Em consequência viveu muito de seus anos de formação com seus irmãos Austin e Lawrence. Sua educação desenvolveu-se principalmente em casa, além da educação formal quando criança.

Uma obra que sabidamente exerceu grande influência sobre ele foi “O companheiro do jovem (1664). O livro continha uma lista de regras para o comportamento social apropriado, que havia sido desenvolvida por sacerdotes jesuítas um século antes. O jovem Washington passaria horas preenchendo seu caderno de notas com cópias dessas regras, muitas das quais ele modificava para ajustar às suas convicções. Ele chamou essas suas anotações de “Regras de civilidade e de comportamento decente em conversas e em companhia com outros”.

Washington teria seguido essas regras de conduta não apenas na juventude como por toda a sua vida.

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Manuscrito de George Washington sobre as Rules of Civility

Regras de civilidade e de comportamento decente

1ª. Cada ação praticada em companhia com outros deve mostrar algum sinal de respeito àqueles que estão presentes.

2ª. Quando acompanhado não ponha suas mãos em nenhuma parte do corpo que normalmente não esteja encoberta.

3ª. Não mostre nada a um amigo que possa assustá-lo.

6ª. Não durma enquanto outros falam; não se sente enquanto outros estão de pé; não fale quando deveria estar em silencio; não caminhe quando outros param.

7ª. Não tire suas roupas na presença de outros, nem se dirija para seu quarto semivestido.

10ª. Quando sentar-se mantenha seus pés firmes no chão e um ao lado do outro. Não coloque um sobre o outro, nem os cruze.

13ª. Não mate vermes ou pulgas ou outros insetos à vista de outros. Se vir algum sob as roupas de outra pessoa, mova seu pé com destreza e o esmague, mas se estiver sob suas roupas esmague-o privadamente (sem chamar a atenção). Agradeça sempre a quem matou o inseto que estava sob suas roupas.

14ª. Não vire de costas para os outros, especialmente quando falam, não sacuda a mesa na qual alguém está lendo ou escrevendo, não se curve sobre uma pessoa.

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Washington como objeto de culto

15ª. Mantenha suas unhas limpas e curtas, suas mãos e dentes limpos, mas sem mostrar grande preocupação com isso.

22ª. Não se mostre feliz com a desgraça de outrem, ainda que seja seu inimigo.

37ª. Ao falar com pessoas de qualidade não se incline sobre ele, nem fique olhando seu rosto, nem se aproxime muito dele. Mantenha pelo menos um passo de distância.

45ª. Ao aconselhar ou repreender alguém, considere sempre se deve fazê-lo em público ou privadamente; naquele momento ou em outro; em que termos fazê-lo e, ao reprovar não mostre sinais de cólera, mas faça-o com serenidade e moderadamente.

56ª. Associe-se com pessoas de boa qualidade se você respeita sua própria reputação, pois é melhor estar só que em má companhia.

71ª. Não fixe seu olhar nas marcas ou defeitos físicos dos outros e não pergunte o que aconteceu. O que você pode falar em segredo para seu amigo não torne conhecido de outros.

89ª. Não fale mal de pessoas ausentes, pois é injusto.

95ª. Não ponha carne em sua boca com a faca em sua mão, tampouco cuspa as sementes de uma fruta sobre um prato, nem jogue nada para baixo da mesa.

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Washington na assinatura da Constituição