Widget Image
SIGA-NOS

Candidato da situação: a armadilha

Normalmente a eleição é disputada entre candidatos da situação e mais candidatos da oposição. Ambos representam a opção principal que a eleição proporciona ao eleitor: continuidade ou mudança.

A eleição é sempre percebida pelos eleitores, sobretudo os mais pobres, como uma mobilização de esperanças. Os próprios candidatos encarregam-se de oferecer-lhes o “marketing da esperança” com suas promessas e propostas.

A intensidade desta expectativa de mudanças varia em função do cargo em disputa (cargos executivos geram mais expectativas que legislativos); em função dos segmentos do eleitorado (segmentos mais baixos têm maiores expectativas); em função da capacidade persuasiva dos candidatos de convencer os eleitores de que é hora de mudar e de que as mudanças vão ocorrer.

Em consequência, os eleitores tendem a encarar a eleição como uma oportunidade de mudança… para melhor.

Candidato da situação de um governo muito popular

Há situações, entretanto, que excetuam esta regra. São aquelas em que o governo em exercício obtém grande êxito no desempenho de suas funções, e a população atribui as melhorias na sua vida às ações do governo. Nestas situações a maioria do eleitorado tende a preferir a continuidade ao risco da mudança.

Atenção! Não basta que os governantes estejam convencidos de que estão fazendo um grande governo, e os indicadores físicos e estatísticos o comprovem. É preciso que este seja também o julgamento da população. Em política, sobretudo no breve e conturbado período eleitoral, a percepção é a realidade.

Tampouco bastam avaliações positivas da administração no poder. Quando o entrevistado de uma pesquisa é perguntado sobre a sua avaliação da atual administração, ele faz um julgamento daquela administração com todas as suas circunstâncias. Ele responde àquela pergunta, isoladamente.

Os políticos costumam extrair a conclusão de que, se o julgamento da administração atual foi positivo, os eleitores querem a sua continuidade. Não necessariamente. Muitas pretensões de reeleição fracassaram porque incorreram neste erro. O povo pode julgar positivamente a administração, homenageá-la com o seu reconhecimento, ao mesmo tempo em que deseja, para a próxima, outras pessoas, outro partido, outras políticas.

O fundamental aqui é entender que ao avaliar positivamente a administração no poder, o eleitor não se está comprometendo a manter a sua continuidade.

Entretanto, quando a população tem a clara percepção de que a administração atual está se saindo bem, naquelas questões que considera prioritárias, as chances de um candidato da situação vencer a próxima eleição são muito favoráveis.

Mesmo assim, ele deverá ser capaz de introduzir no seu programa mudanças, novidades e avanços.

O objetivo de um candidato nestas condições é cobrir, com a sua candidatura, os dois hemisférios temáticos centrais de uma campanha: a continuidade e a mudança.

Se conseguir isto persuasivamente, ele retira “oxigênio” das candidaturas adversárias: não podem defender a continuidade, porque este é o seu espaço; não podem defender a mudança radical porque a população não a deseja; e, se é para propor mudanças parciais, correções, ajustes, o candidato da situação está em melhores condições para fazê-lo do que eles.