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Comercial Lama II: a terceira via

O formato “lama” para comerciais é usado fartamente nos EUA, desde a década de 80. O comercial que será apresentado é particularmente interessante porque, ao usar o conhecido expediente de “jogar lama”, patrocina uma estratégia própria, ao estilo terceira via.

Na disputa primária para a escolha do candidato democrata ao Senado, pelo estado de Wisconsin, Russ Feingold concorria contra dois adversários que estavam à sua frente. Não apenas estavam à sua frente, como polarizavam a eleição e ameaçavam marginalizar a candidatura de Feingold.

Feingold posicionou sua candidatura como uma alternativa aos dois, propondo assim uma terceira via aos eleitores. O que havia em comum aos dois, e inexistia em Feingold, era o tipo de candidatura negativa, feita de ataques, acusações e denúncias. Feingold posicionou sua candidatura mais pelo método de fazer política do que pelo confronto de propostas.

O comercial lama foi usado para oferecer uma terceira via aos eleitores

Ele mostrou que, enquanto seus adversários gastavam seu tempo atacando-se mutuamente, fazia uma campanha positiva, com propostas.

O “lance” político de tentar uma terceira via, entre dois candidatos polarizados e na frente das pesquisas, é sempre um lance teoricamente atraente e óbvio, mas nem sempre funciona. Quando o eleitorado aceita a polarização e a assume, a terceira via não tem nenhuma chance de se viabilizar. Quando, entretanto, o eleitorado rejeita a polarização, uma terceira via pode ter sucesso, e conseguir desbancar os dois candidatos líderes, simultaneamente.

Assim, não basta que a estratégia da terceira via apareça como atraente, plausível e oportuna. É preciso saber, ou testar, até que ponto o eleitor não assumiu a polarização, caso em que ele exclui a possibilidade de uma terceira candidatura. Nestes casos, como em outros, a pesquisa é fundamental e se constitui no elemento de informação confiável para decidir a favor da tentativa de abrir uma “terceira via” na eleição.

O Comercial

Russ Feingold

Russ Feingold usou o comercial quando participava da disputa para a escolha do candidato democrata ao Senado pelo estado de Wisconsin

O comercial abria no vídeo com a imagem de Russ Feingold, com o seu nome na parte de baixo da imagem. Ele aparece falando para a câmara: “Oi. Eu sou Russ Feingold, o azarão nesta eleição para o Senado dos Estados Unidos. Nas últimas semanas, meus adversários têm se dedicado a atirar lama um no outro”.

A câmera focaliza fotos em tamanho natural dos adversários coladas em uma estrutura de madeira, sendo atingidas sucessivamente por “bolas” de lama com o típico barulho do impacto da lama sobre o painel. Esta cena continua sendo focada até que o candidato volta a falar (talking head) e a câmera volta a focalizá-lo:

“Enquanto eles estão se atacando mutuamente, e desqualificando um ao outro, eu tenho me ocupado lançando meu plano de 82 pontos para eliminar o déficit do governo federal. Tenho falado para vocês sobre a necessidade que temos de estabelecer um plano de longo prazo para os cuidados de saúde para os mais velhos, além de um sistema nacional de cuidados de saúde para a população”.

A seguir Feingold aproxima-se dos painéis e imediatamente abaixa-se para não ser atingido pelas bolas de lama que continuam sendo projetadas. Neste momento, ele retoma a palavra: “Sabem como é que eu consegui ficar longe desta guerra de lama? É simples, eu me recuso a baixar a este nível”.

Aparece o locutor que diz: “Vote em Feingold no dia 8 de setembro”.

Surge na tela uma foto de Feingold com o letreiro: “Wisconsin não pode deixar por menos: Feingold”. Enquanto isto, o áudio continua reproduzindo o som da bola de lama contra os painéis, ao qual o espectador já se acostumou.