Lidar com seus superiores é sempre uma matéria delicada e complexa. A advertência vale tanto para o assessor, quanto para o político que está ocupando uma posição subalterna a outros líderes, no partido, na Casa Legislativa, ou no governo.

Tenha muito cuidado na hora de defender seus pontos de vista

Não se iluda com as aparências. Mesmo um político acessível, popular, simples, se tiver ambição e perseguir um projeto político e pessoal, tem elevada sensibilidade para sua condição hierárquica. Pode até parecer que não, mas, como regra, é o que ocorre.

Há alguns conselhos e advertências consagrados pela história, pela literatura especializada e pela experiência, que convêm expor e comentar. Talvez pareçam óbvios, mas sua ocorrência frequente evidencia que, na prática, nada têm de obviedade.

Não se exalte ao defender uma posição, principalmente se você está em questão. Políticos, auxiliares e assessores estão sempre se reunindo para trocar ideias, discutir e debater alternativas, encaminhar decisões.

Reuniões são oportunidades em que todos os participantes estão expostos. As ideias, alternativas, propostas de decisão que cada um dos participantes sustenta, são analisadas, criticadas, comparadas com outras, e, finalmente aceitas ou rejeitadas. São ocasiões em que os participantes defendem suas propostas com convicção.

O problema não está em defender sua ideia, criticar as ideias opostas, argumentar e tentar persuadir. Isto é o que se espera de quem participa da discussão. O problema está na forma de defender, na dose de envolvimento pessoal na discussão.

A exaltação, a irritabilidade, a agressividade, na defesa de uma tese e na crítica a outras, aparece para o superior como uma falha grave. Significa, para ele, que seu auxiliar está personalizando uma matéria que deveria ser tratada com objetividade, que quer ganhar a todo custo para provar sua força, poder e superioridade.

Quem assim age, mostra também um “passionalismo mal situado” um descontrole que compromete seu julgamento. Cria-se assim uma situação em que a pessoa, sem perceber, muda o tom de sua voz, seu gestual, sua linguagem, seu olhar, de tal forma que acaba por dissociar-se da atmosfera da reunião. O problema torna-se ainda mais grave se a questão em discussão o envolver, se ele estiver, de alguma forma em questão.

Nestas situações, a calma, a firmeza, a serenidade são as atitudes, mediante as quais, suas idéias podem ser acolhidas como objetivas, verídicas e racionais. A exaltação, ao contrário, é a atitude que parece indicar insegurança e, quem sabe, culpa.

A reação interna do superior é a de embaraço, irritação, constrangimento, desconforto, desconfiança na capacidade de julgamento de seu auxiliar e na sua capacidade de trabalhar em equipe. Além da situação de defesa exaltada de uma tese, proposta, idéia, e, da mesma defesa, com o mesmo estilo, em matéria em que você está em questão, há ainda uma terceira situação que você deve evitar: a insistência na defesa do erro, para manter a coerência.

Evite insistir na defesa de um erro só para manter a coerência

Nestas ocasiões, a defesa exaltada foi tão longe, comprometeu de tal forma quem a sustentou, que torna-se muito penoso do ponto de vista psicológico, voltar atrás e reconhecer o erro. A pessoa lutou demais, agrediu demais, radicalizou além da conta, fez declarações definitivas. Parece-lhe humilhante e desmoralizante recuar das posições assumidas. Não muitos têm a grandeza de fazer sua autocrítica e reconhecer o erro e o despropósito da exaltação.

Entra em jogo então, a conhecida justificativa de que acima de tudo é necessário manter a coerência… O que para ele assume a característica de defender sua coerência, para seu superior e para seus colegas, passa a ser impertinência: um passo a mais no rumo do comprometimento de sua qualificação e reputação.

Impertinência e obstinação são sinais indiscutíveis de submissão ao passionalismo. Lembre-se sempre que a sabedoria da política recomenda que:

“Nem a promessa feita de maneira descuidada e inconsequente, nem a resolução errada devem amarrar-nos para sempre, na tola e equivocada chantagem da coerência”.

Sempre é melhor reconhecer o erro.

Um exemplo clássico é a frase de Disraeli sobre suas relações com a Rainha Victoria: “Nunca recuso nem contradigo; e, às vezes, esqueço”