O recurso mais precioso e mais escasso que uma campanha administra é o tempo do candidato. Este é um recurso absolutamente inelástico. Do início da campanha até a eleição, o candidato disporá de um número “x” de horas, dias, semanas, meses, que ele poderá dedicar ao trabalho eleitoral. Fora deste tempo, estão apenas aquelas horas destinadas ao repouso e às necessidades pessoais e familiares mínimas.

Se considerarmos então a totalidade do tempo disponível para a campanha como correspondendo a um valor qualquer, por exemplo, 100, três conclusões são óbvias e obrigatórias:

  1. Não há maneira de aumentar o tempo total;
  2. Cada minuto perdido é irrecuperável naquela eleição;
  3. Mesmo que use todo o seu tempo, o candidato não conseguirá comunicar-se com todos os eleitores.

São conclusões óbvias, mas é sempre oportuno reiterá-las. Elas recomendam um planejamento que otimize o tempo do candidato, mas não devem ser levadas ao extremo, de tornar a sua vida num inferno, onde ele e a equipe carregam permanentemente uma culpa irredimível, pelas inevitáveis perdas de tempo que ocorrerão.

Como a moderna campanha é centrada no candidato, e não como no passado, no partido ou em lideranças estabelecidas, a maior parte deste tempo total deve ser gasta com os eleitores.

As formas de contato do candidato com os eleitores, variam em função de diversos fatores. O principal deles é a natureza da eleição.

Numa eleição local, para prefeito e vereador de cidades médias e pequenas, a comunicação com o eleitor deve ser pessoal e direta, é o chamado “corpo a corpo”. O mesmo sucede, em grande medida, nas eleições para o legislativo.

Já nas eleições para a prefeitura de cidades grandes, para o governo do estado, Senado, e Presidência da República, o contato deverá ser predominantemente por TV e Rádio, funcionando o “corpo a corpo” como fato para produzir mídia, e “efeito-demonstração” da disposição do candidato de encontrar-se pessoalmente com os eleitores.

Contatos de baixa e alta intensidade

O contato com o eleitor pode então ser de dois tipos:

  • Contatos de baixa intensidade
  • Contatos de alta intensidade

O que distingue um tipo de contato do outro é a característica de individualização que os contatos de alta intensidade possuem.

Os contatos políticos de baixa intensidade atingem o eleitor de maneira generalizada, os de alta intensidade de maneira individual.

Toda a comunicação com eleitor, que se dirige a ele como um integrante anônimo de uma categoria social, ou um agregado de indivíduos, é contato de baixa intensidade.

Toda comunicação que se dirige ao eleitor como um indivíduo singular, que enseja uma interação pessoa a pessoa, é um contato de alta intensidade.

A terminologia, alta/baixa intensidade, diz respeito ao efeito do contato sobre o eleitor, seu poder de persuasão.

Não há nenhuma ação de campanha que seja mais eficiente para atrair o eleitor, criar um vínculo emocional dele com o candidato (ainda que transitório), fixar a sua imagem, torná-lo identificável e, em última análise para persuadi-lo a votar nele, do que o contato pessoal.

O eleitor comum não costuma conhecer pessoas importantes e, ainda que o contato seja breve, se o candidato foi simpático, deu a devida atenção à pessoa, mostrou interesse pelo que ela tinha a dizer, o impacto sobre o eleitor é muito grande.

A partir daquele momento, se nenhum outro candidato chegar nele, com pelo menos igual atenção e consideração, dificilmente deixará de votar no candidato com quem se encontrou.

Mais ainda, como se trata de um acontecimento incomum na vida de pessoas comuns, ele tenderá a falar para outros (familiares e amigos), ampliando o raio de influência daquele contato.

É incrível como um nexo emocional de simpatia e adesão se forma, a partir de um breve contato, às vezes com duração inferior a um minuto. Mas pode acreditar que se cria. O candidato remoto, dos cartazes, da TV, dos jornais, subitamente ingressa na esfera acanhada da vida da pessoa.

É importante reiterar que tudo isto ocorre quando o contato é bem feito, e a imagem que fica é positiva.

Tudo que foi dito como funcionando a favor do candidato, pode ser dito por igual com efeitos opostos – hostilidade ao candidato – se o contato não foi adequado.

O mesmo nexo emocional se forma, só que com base em sentimentos negativos – “é um vaidoso”, “pensa que é melhor que os outros”, “não se importa com a gente, só quer os nossos votos” – são algumas das frases que vão resumir o resultado de um contato pessoal mal feito.

Não é por outra razão que esta é a forma mais antiga e mais perene de se fazer campanha.

Ela só perdeu espaço para as formas que se traduzem em contatos de baixa intensidade, em razão do tamanho do eleitorado, que inviabiliza o contato “corpo a corpo”, como principal forma de comunicação com o eleitor.