Grande parte do discurso político se expressa sob a forma de crítica. A oposição, em especial se ocupa preferencialmente de opor sua crítica e até denúncia ao desempenho do governo estabelecido. Essa polaridade – governo/oposição – também está em primeiro plano na campanha eleitoral.

Cuidado com a crítica

Mas atenção, como ocorre com qualquer instrumento, a sabedoria está em usa-lo bem. Cuidado com a crítica. Crítica em excesso passa a imagem de pessoa intransigente, raivosa, agressiva, mais preocupado com o passado, que para o eleitor já passou, do que com o futuro imediato, que é onde este foca o seu interesse.

Não significa que se devem evitar críticas. Mas atenção, a melhor crítica é aquela que se refere a problemas não resolvidos da realidade das pessoas e que elas consideram prioritário, principalmente quando o atual governante se comprometeu com promessas resolvê-los.

Além disso, a crítica e o ataque devem ser graduados desde a posição de equilíbrio (‘o que foi bem feito será mantido e continuado…’) até o limite da indignação.

Quem dá a orientação para a graduação é o eleitor: pela intensidade do sentimento que ele revela ter sobre o problema. Se o problema é muito sério, sua solução já fora prometida e nada foi feito, cabe até a indignação. Se a imagem do governo, entretanto, não for tão ruim, talvez essa condição imponha uma crítica moderada.

De qualquer forma, a oposição deve expressar a disposição para a mudança, deve reiterar seu compromisso com uma mudança para melhor. Por isso, mesmo o que está funcionando bem pode ser aperfeiçoado em algum detalhe.

Além disso, a crítica/denúncia do problema não resolvido deve ser fundamentada, seja em fatos de grande notoriedade, que pode-se supor que sejam conhecidos; seja em documentos que contêm declarações, promessas ou compromissos.

Quanto mais contundente a crítica, mais documentada ela deve ser, de forma a não permitir versões alternativas, ou ambiguidades. Deve-se criticar para depois mostrar como se pode corrigir o problema. A mensagem que fica sempre deve ser positiva.

A crítica por si só não basta

Há uma maneira de resolver o problema, e a oposição deve demonstrar que a conhece e que está disposto a praticá-la. A crítica denuncia o desleixo, a incapacidade, o desinteresse em resolvê-los e assim honrar o compromisso eleitoral, para depois mostrar que a oposição mantém interesse por eles, que sabe os prejuízos que causam, que tem a melhor solução, dá prioridade ao problema, e possui vontade política para resolvê-lo/amenizá-lo.

O que deve ser evitado é uma crítica que deseja o pior para prejudicar o seu adversário que está no poder.

Não se deve esquecer nunca que o eleitor não está interessado nas brigas dos políticos, principalmente aquelas que são de conteúdo pessoal.

O eleitor médio poderá ter curiosidade sobre os conflitos pessoais que dividem os políticos, mas não ao ponto de desejar o pior para si como decorrência de uma atitude de oposicionismo radical.

Sentimentos dessa ordem só se encontram nos militantes pessoal, profissional e ideologicamente comprometidos, nos ‘true believers’.

Por fim, pode a oposição elogiar o governo ao qual se opõem e sua base parlamentar?

Pode, excepcionalmente. Quando o governo realiza uma obra de indiscutível aprovação popular a oposição enfrenta uma situação muito delicada. Se recusar o reconhecimento ou mesmo,  se opuser àquela realização, estará indo contra o sentimento popular. Se simplesmente elogiar, estará dando demonstração de sua irrelevância.

O caminho politicamente acertado é o de ter colaborado com a realização seja com sugestões ou com seu voto no legislativo, de forma a poder dizer que, em matérias de verdadeiro interesse coletivo, é capaz da atitude do reconhecimento, ainda que estando na oposição. Que é, pois, uma oposição equilibrada, moderada e politicamente necessária.