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Cuidado com a campanha negativa e a oposição destrutiva

Por definição e pela realidade prática, todo o político busca o poder. Além disso, salvo as honrosas exceções, a maioria dos políticos prefere a titularidade de um cargo executivo sobre a de um cargo legislativo. No próprio legislativo, ocupar a presidência da mesa, ou um de seus cargos, ou a liderança da bancada, sempre é preferido na comparação com o exercício isolado de seu mandato.

No executivo também essa preferência parece ser a regra. O prefeito quer ser deputado para, quem sabe, depois vir a ser governador, e este gostaria de ser deputado federal, para quem sabe tornar-se ministro. E, alguns governadores, desde o início de seu mandato, têm já os olhos postos no Planalto.

É que governar entrega ao eleito o poder de decidir, de escolher, de fazer. Alguns delinquentes, quando detêm esse poder o usam para benefício próprio, de seus partidos, de seus amigos, familiares.

Não devemos, porém, pela lembrança destes exemplos negativos esquecer que o poder, quando usado com sabedoria, justiça e visão pode realizar maravilhas pelo progresso, pelo bem comum, pela perenidade dos valores, pela benção da beleza estética, pela nossa vida individual….

Na política moderna a campanha para a próxima eleição é permanente tanto quanto responsabilidade de governar e administrar. O período entre eleições, portanto passou a ser a oportunidade de marcar pontos políticos positivos ou, de sofrer desgaste político.

Governar tornou-se assim, além de uma atividade permanente, de enorme complexidade e de alto risco.

A complexidade crescente decorre, além das dificuldades inerentes à atividade de administração, da verdadeira floresta normativa (leis, decretos, instruções, regulamentos, portarias, regimentos, decisões judiciais).

O alto risco decorre do fato de que a política, tendo adquirido uma inescapável dimensão de espetáculo público, tem os olhos e ouvidos da mídia sempre atentos para o que nela ocorre, tornando a campanha negativa (denúncias, acusações, escândalos) atraente como instrumento político de exclusão do adversário, e como matéria obrigatória da mídia.

Como os casos de acusações e denúncias admitem mais de uma versão. Tem início então a dialética da acusação e da explicação, inevitavelmente muito mais prejudicial ao acusado do que ao acusador.

Difícil é escapar a uma acusação bem urdida, ainda que não verdadeira, por três razões:

  1. Porque em geral envolve matérias de explicação muito complexa e de difícil entendimento. A maioria das pessoas – sobretudo num contexto eleitoral, ou de uma CPI, situações que em que diariamente novos fatos se sucedem – não tem nem meios de se informar e formar conclusão, nem mesmo paciência para acompanhar a quantidade de informações, explicações e de acusações mútuas que ocorrem.
  2. Porque a mídia, ao transformar a matéria em pauta obrigatória, “alimenta-se e provê alimentos” das “novidades” trazidas pelos acusadores.

Mandy Grunwald, assessora de Clinton na campanha para a presidência em 1992 costumava dizer uma frase que se tornou célebre:

“A mídia é um monstro faminto que diariamente precisa ser alimentado. Se você não der a ela o que precisa ela vai comer você”.

A mídia, por outro lado, tem todos os meios de relatar o que está sendo dito ou apresentado, mas, como regra operacional, não dedica suficiente tempo e meios para permitir aos seus leitores a formação de uma opinião conclusiva. Ela relata, escancara, mas não conclui.

Em conseqüência, mais uma vez é o acusado o principal prejudicado, pelas acusações sem provas.

  1. O Judiciário, que põe termo a este litígio pessoal e político, possui uma dinâmica de funcionamento que, como é óbvio, não está sujeita ao calendário das atividades políticas (menos ainda eleitorais).

Como tal, ensejando o direito de as partes usarem os prazos processuais para fazer provas, apresentar testemunhas, e exercer sua função de defesa e acusação, com todas as instâncias recursais previstas, tende a resolver o conflito muito tempo depois de a eleição estar concluída ou de o mandato executivo ter terminado. Se o acusado vier a ser absolvido, sua honra terá sido preservada, mas o custo político, pessoal, familiar, social e econômico, que a acusação lhe causou é irrecuperável.

A carreira política estará liquidada, a reputação em frangalhos, os desgastes psicológicos, pessoais e familiares, muitas vezes irreversíveis e, ao fim e ao cabo, em muitos casos, o acusado era inocente !

Razões como essas tornam necessário estar alerta para o fato de que a política mudou; que os riscos aumentaram; que muitas pessoas qualificadas, honestas e preparadas desistiram de entrar para a carreira política por razões como essas; e, inversamente, porque a política brasileira vem operando, em grande medida, uma seleção negativa, isto é atraindo os mais ousados, mais inescrupulosos e mais desonestos.