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Discurso de Danton à Convenção após a sua condenação

Este é o último discurso de Danton. Já sem voz, cansado e abalado pela sua condenação como traidor da Revolução, Danton usa a oportunidade de seu último pronunciamento para denunciar Robespierre e os jacobinos.

É o discurso de um condenado, de alguém que, por ironia, vai provar do próprio veneno que ministrou a tantos outros: a guilhotina.

Mas é o discurso de um grande líder, que tem plena consciência de que com a morte entrará definitivamente para a história política da França. Fala naquele momento não para as pessoas que o ouvem. Fala para a posteridade.

Danton condenação

Danton profere seu discurso cansado, sem voz e abalado pela sua condenação como traidor da Revolução

Uma reprodução deste discurso pode ser vista no filme “Danton, o processo da revolução” de Milos Forman, com Gerard Depardieu no papel de Danton. Abaixo o ato de condenação, seguido do discurso de Danton.

SESSÃO DO TRIBUNAL REVOLUCIONÁRIO

(14 Germinal, ano II : 3 de abril de 1794)
Tribunal Criminal Revolucionário

Os deputados designados para a acusação compareceram ao Tribunal, na seção localizada na Sala da Liberdade, na sessão do dia 13, com os 5 indivíduos acusados de cumplicidade naquelas mesmas conspirações. Eis os nomes, idades, e qualidades dos 14 réus, que, de acordo com o decreto e a queixa crime do acusador público, são acusados de cumplicidade com De Orléans, Dumouriez e outros inimigos da República de terem participado da conspiração que visava restabelecer a monarquia, destruir a representação nacional, o governo republicano, etc…

Fabre D’ Eglantine, Chabot, Camille Desmoulins, Hérault de Séchelles, G. J. Danton, de 34 anos, nascido em d’Arcis-sur-Aube, aqui presente, advogado e deputado à Convenção.

(…..) Camille Desmoulins, perguntado sobre sua idade, respondeu: “Eu tenho a idade do sans-cullote Jesus, 33 anos.

(……) Danton, interrogado sobre seu nome e endereço respondeu: “Minha moradia muito breve será o Nada, quanto ao meu nome, vós o encontrareis no panteon da história”.

O Presidente declarou: “Danton, a Convenção nacional vos acusa de ter favorecido Dumouriez, de ter com ele compartilhado seus projetos liberticidas, tais como fazer marchar sobre Paris uma força armada para destruir o governo republicano e restabelecer a monarquia.”

Discurso de Danton

Danton

Danton: “Minha moradia muito breve será o Nada, quanto ao meu nome, vós o encontrareis no panteon da história”.

Minha voz que, tantas vezes se fez ouvir em prol da causa do povo, para apoiar e defender seus interesses, não terá problema de repelir a calúnia. Os covardes que me caluniam, ousariam me atacar frente à frente? Que se mostrem, e eu os cobrirei de ignomínia, do opróbio que os caracteriza.

Eu já disse e repito: meu domicílio em breve será no Nada, e meu nome estará no Panteon. Minha cabeça aqui está!…… Ela responde por tudo! ….A vida me pesa, e se faz tarde a minha liberação…..

A audácia individual sem dúvida pode ser reprimida, e jamais ela foi usada para me atacar; mas a audácia nacional, da qual eu tantas vezes dei o exemplo, com relação à qual eu tantas vezes servi a causa pública, este tipo de audácia é permitido, ela é mesmo necessária na revolução, e é desta audácia que eu me orgulho.

Quando eu me vejo tão agravado, tão injuriado, tão injustamente acusado, serei eu o mestre a comandar o sentimento de indignação que faz com que eu me erga contra os meus detratores? É de um revolucionário como eu, tão fortemente pronunciado, que deve se esperar uma resposta fria?

Os homens da minha têmpera não podem ser comprados! É sobre a sua testa que estão impressos, de forma inapagável o selo da liberdade, o gênio republicano. E é a mim que acusam de rastejar aos pés de vis déspotas, de ter sido sempre contrário ao partido da liberdade, de ter conspirado com Mirabeau e Dumouriez! E é a mim que se convoca para responder à Justiça inevitável, inflexível! ….

De nada adiantou este discurso emocionado, onde Danton reivindicou seu papel de liderança na revolução, seu papel de Tribuno do Povo nas horas trágicas, encarregado de unificar o povo, pelo magnetismo de sua eloquência, na defesa da revolução.

Em 5 de abril de 1794 foi guilhotinado na Praça da Revolução.