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Discurso de Robespierre sobre a revolução

Maximilien de Robespierre nasce em Arras, filho de um advogado. Estuda direito e filosofia, conquistando prêmio de 600 libras por seu desempenho, pelo Colégio Louis le Grand. Pratica a advocacia sustentando suas causas nos princípios iluministas, anti clericais e anti-aristocracia.

Em 26 de abril de 1789 elegeu-se deputado para os Estados Gerais. Um ano mais tarde é eleito presidente do Clube dos Jacobinos,

Em 30 de setembro de 1791 é aclamado pelo povo de Paris como “incorruptível defensor do povo”. Em 3 de dezembro de 1792 pronuncia o clássico discurso “Louis deve morrer para que a pátria possa viver”, pedindo a execução de Louis XVI.

Em 28 de julho de 1794 (9 Termidor) morre decapitado na guilhotina.

Robespierre e a Revolução Francesa

Tornado o próprio símbolo da revolução, Robespierre integra o Comitê de Salvação Pública, do qual viria a ser presidente. Por sua influência e liderança se implantará e se exercerá, por um ano, a ditadura Jacobina.

No período mais difícil da revolução Robespierre conseguirá restaurar, em alguns meses, a unidade francesa ameaçada por todos os lados. No momento mesmo em que entra para o Comitê, a França está sendo invadida pela Bélgica e no Reno e todas as frentes de batalha são rompidas.

Robespierre foi aclamado em 30 de setembro de 1791 como “incorruptível defensor do povo”

Em breve Toulon, governada pelos defensores da realeza vai abrir suas portas para os ingleses, e entregar sua esquadra de 48 navios de guerra. No interior, a rebelião da Vendée e a insurreição girondina abriram a luta em 62 dos 84 departamentos em que se dividia a França. A produção e o comércio estão desorganizados, os impostos não são pagos e o tesouro está vazio. Robespierre assim caracterizou este período:

“Onze exércitos a dirigir, o peso da Europa inteira para carregar, por todos os lados traidores para desmascarar, administradores desleais a inspecionar, todos os tiranos para combater, todos os conspiradores a intimidar, por toda parte aplainar obstáculos. Tais são as nossas funções (do Comitê de Salvação Pública).”

Caberá a este asceta rígido reunir as forças materiais e espirituais da nação e lançá-las unidas e organizadas contra o inimigo. Em menos de 6 meses, a ordem é restabelecida. Um milhão e duzentos mil homens são convocados, formando 14 exércitos, e o inimigo é repelido para fora das fronteiras da França.

Se havia tendências socialistas em Robespierre, é importante ressaltar que ele não era um coletivista. Não se tratava de nacionalizar os meios de produção, mas, ao contrário, usar o poder do estado e a intervenção política para uma mais justa distribuição das mercadorias de primeira necessidade. Buscava elevar a República e a pátria acima de todos os egoísmos individuais, de todas as ambições pessoais, de todos os privilégios hereditários.

É, pois, a subalternização total do indivíduo, diante da causa da pátria e da revolução, que caracteriza o essencial do pensamento político de Robespierre e de suas ações como governante.

Discurso de Robespierre à Convenção sobre “os princípios de moral política que devem guiar a Convenção na administração interna da revolução.”

A subalternização total do indivíduo, diante da causa da pátria e da revolução, caracteriza o pensamento político de Robespierre

(……) O governo da revolução é o despotismo da liberdade contra a tirania.

(……) Até quando o furor dos déspotas será chamado de justiça, e a justiça do povo chamada de barbárie ou rebelião?

(……) Indulgência para os realistas, gritam alguns; graça para os celerados! Não, graça para a inocência, graça para os fracos, graça para os infelizes, graça para a humanidade!

(…….) Os inimigos internos do povo francês dividiram-se em duas seções, como se fossem dois corpos de exército. Elas marcham sob bandeiras de diferentes cores, e por caminhos diferentes. Mas elas marcham com o mesmo objetivo.

Este objetivo é a desorganização do governo popular, a desagregação da Convenção, isto é, o triunfo da tirania. Uma dessas facções tenta nos empurrar para a fraqueza, a outra para os excessos. Uma quer transformar a revolução em bacante, a outra em prostituída.

(……) O falso revolucionário está mais frequentemente aquém do que além da revolução. Ele é moderado, ele se mostra um patriota exaltado, conforme as circunstâncias. Sabe-se o que ele pensará amanhã nos comitês dos prussianos, dos austríacos dos ingleses e até mesmo dos moscovitas !

Ele se opõe às medidas enérgicas, e as exagera quando não consegue impedí-las. Ele é severo com a inocência e indulgente com o crime; facilmente acusa os culpados que não são ricos o suficiente para comprar o seu silêncio, nem tão importantes para merecer o seu zelo; mas cuidando para evitar comprometer-se, ao ponto de ter de defender a virtude caluniada; descobrindo, por vezes, complots que já tinham sido descobertos; arrancando a máscara de traidores que já foram desmascarados, e em alguns casos, até mesmo decapitados; mas exaltando os traidores vivos e ainda acreditados; sempre preocupados em acariciar a opinião do momento;(…) dizendo a verdade com economia, e tanto quanto necessário, para adquirir o direito de mentir impunemente; destilando o bem gota a gota, e derramando o mal em torrentes; arrebatado pelas grandes decisões, que não significam nada; mais do que indiferente para com aquelas que podem honrar a causa do povo e salvar a pátria; dando muita importância às formas exteriores do patriotismo; ele preferirá usar 100 bonés vermelhos a fazer uma boa

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