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É este o momento de fazer pesquisas?

Pesquisa

O que se busca com as pesquisas é a informação confiável sobre a realidade política, os sentimentos e prioridades dos eleitores, seus valores e expectativas, a imagem que possuem dos candidatos, além de informações sobre intenção de voto, rejeição, entre outras variáveis que permitam a definição do posicionamento estrategicamente mais vantajoso para a candidatura.

Tais informações são buscadas junto à população, sendo entrevistados, de forma aleatória, indivíduos que se enquadram nas variáveis da amostra, em correspondência com a sua participação relativa na população. Em outras palavras, se a distribuição percentual por sexo na população é de 51% mulheres e 49% homens, esta deverá ser a proporção adotada na amostra (quotas). O mesmo vale para as usuais variáveis referentes à renda, à escolaridade, e à ocupação.

Pesquisa Eleitoral

Com a pesquisa se busca uma informação confiável sobre a realidade política.

Este trabalho conceitual e prático (desenho da amostra e construção do instrumento de entrevista – questionário – e o trabalho de campo: aplicação do questionário aos indivíduos aleatoriamente selecionados) é cuidadosamente feito para assegurar:

  1. Que cada indivíduo da população tenha a mesma probabilidade de “cair na amostra”;
  2. Que o desenho amostral defina como os entrevistados serão “buscados” dentro de suas respectivas quotas, respeitando-se escrupulosamente o princípio metodológico acima referido;
  3. Que o uso de um mesmo questionário, aplicado do início ao fim a todos os entrevistados, e a adoção de uma mesma forma de fazer as perguntas sejam rigorosamente respeitados;
  4. Que a aplicação dos questionários seja integralmente feita num mesmo período de tempo (1,2,3 dias) de maneira a garantir que todos responderão às mesmas perguntas dentro do mesmo momento político (garantia da uniformidade dos estímulos externos);

Ora, todo este trabalho e todo este cuidado constituem se na aplicação de procedimentos testados e confirmados, universalmente aceitos, como a melhor forma para se obter um conhecimento muito valioso: a informação confiável.

É para isso que se faz pesquisa. Se não foi informação confiável não interessa.

Em consequência, o primeiro requisito que a informação confiável precisa atender é de que a pessoa que nos dá informação, tenha aquela informação. Dito assim parece óbvio, mas na prática não é tão óbvio assim.

Muitas pesquisas perguntam assuntos sobre os quais as pessoas comuns não conhecem, ou no momento não estão informados, ou formulam a pergunta de maneira difícil de entender.

Em todos esses casos o entrevistado, muitas vezes constrangido de dizer que não sabe, escolhe uma das alternativas de resposta que lhe são oferecidas, sem maior convicção, apenas para livrar-se do constrangimento.

Como não estamos tratando neste texto do conteúdo do questionário, essa questão de “fazer a pergunta para quem possa respondê-la” leva-nos à questão do timing da pesquisa.

Não cabe ao autor da coluna, que se encontra a variados graus de distanciamento dos interessados na informação, fazer uma avaliação definitiva sobre o acerto ou incorreção do timing da pesquisa. Há sempre a possibilidade de que aspectos locais recomendem fazê-la no momento em que se pretende fazê-la.

Há também a possibilidade de que se esteja buscando informações sobre valores, sentimentos, atitudes dos próprios entrevistados, dimensões de análise que possuem uma relativa independência no que respeita ao timing da pesquisa.

O que certamente não é aconselhável fazer neste momento, para um candidato a uma função legislativa, é a pesquisa de intenção de voto.

Diferentemente das eleições para os cargos executivos, a eleição para cargos legislativos não possui a dramaticidade, a visibilidade e competitividade das eleições majoritárias, e a simplificação, que o número reduzido de candidatos implica, para o acompanhamento do eleitor.

pesquisa eleitoral

Uma pesquisa pode mostrar informações sobre valores, sentimentos, atitudes dos próprios entrevistados

Entretanto, é fundamental estar consciente de que, na relação entre informação e timing, há sempre um preço a pagar. Não é possível maximizá-las simultaneamente.

Se a pesquisa é feita muito próxima à data da eleição, os entrevistados estarão mais informados e seguros de sua decisão, e a pesquisa produzirá informações valiosas, mais confiáveis e estrategicamente úteis. Nesse caso, o quesito informação fica bem atendido, mas, por outro lado, o tempo útil para usá-las na campanha é manifestamente insuficiente, enquanto o quesito timing fica irreversivelmente prejudicado. Por outro lado, se a pesquisa for feita muito antes da eleição verifica-se a situação oposta. Os entrevistados, estarão ainda muito “desligados” da campanha, e dos eventuais candidatos.

Como tal, haverá um número muito expressivo de respostas do tipo Não Sabe ou Não respondeu, a ponto de inviabilizar a identificação de tendências confiáveis.

Além disso, a decisão comunicada sob a forma de resposta estará ainda sujeito a um alto grau de instabilidade, pela reduzida confiabilidade de sua permanência, sob o fogo da campanha eleitoral. Tal situação afeta mais ainda o candidato novo (que está disputando a eleição pela primeira vez), e os candidatos às eleições legislativas, em comparação com as eleições para o executivo.

Inversamente à hipótese anteriormente analisada, o quesito timing, nesse caso, é favoravelmente atendido, mas o quesito informações tende a ser pobre e pouco confiável.

Não questiono a decisão de fazer a pesquisa neste momento ainda remoto da campanha eleitoral. Razões de ordem estratégica devem se sobrepor as naturais limitações do instrumento.

Mas é fundamental que se tenha em mente, ao analisar os resultados, a relação que forçosamente existe entre a variável riqueza e confiabilidade da informação e o timing em que ela se torna disponível.