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Fascismo e nazismo: A Reação das democracias

“Assim cercaremos Hitler”

Frase de Von Papen a Hidenburg, janeiro de 1933, ainda subestimando Hitler.

De igual importância para a conquista do poder pelo nazismo foi a reação dos democratas alemães e das democracias ocidentais, em especial a Inglaterra, comandada pelo Primeiro Ministro Neville Chamberlain.

As frases a seguir ilustram:

  • Chamberlain e Hitler

    Nunca ocorreu a Chamberlain que Hitler não queria a paz

    incapacidade de definir com clareza e precisão o inimigo.

  • adoção do pensamento mágico– isto é, acreditar que o que queremos, porque queremos muito, vai acontecer (wishful thinking).
  • Disposição para conciliar, ignorar, minimizar, para não provocar o pior (adiando guerras inevitáveis, como diria Maquiavel).
  • Atitude de contemporização e apaziguamento, na expectativa de que o inimigo se satisfaça com menos do que poderia ter.

Havia ainda uma leitura profundamente equivocada das intenções de Hitler. Segundo ela, Hitler não faria guerra, ao conquistar a Áustria, ou mesmo ao exigir os sudetos. Essas e outras reivindicações suas buscavam apenas anular os piores abusos e as humilhações provocadas pelo Tratado de Versailles pós 1871(derrota da França na Guerra Franco-prussiana).

Após a conquista da Áustria 1938 – (Anchluss)

“Ninguém vai fazer guerra com Hitler por se apossar de um território alemão”.

Desculpa para não reagir. Racionalização e wishful thinking. A Áustria falava alemão, mas não era alemã da mesma forma que a Prússia era.

Politica de Apaziguamento – Segundo Churchill:

poster do Torneio Internacional de Xadrez

Torneio Internacional de Xadrez. As grandes potências sendo empurradas para o canto por peões alemães, isto é as pessoas comuns.

“A Chamberlain nunca ocorreu que Hitler não queria a paz, que toda a sua personalidade e a personalidade do regime nazista, exigiam a guerra”
“Ele (Chamberlain) estava disposto a empenhar-se continuamente nisso a despeito dos fatos” 
(buscar a paz pelo apaziguamento).

A conquista da Tchecoeslováquia

Para conquistar a Tchecoeslováquia, Hitler pratica até mesmo manobras teatrais para domesticar Chamberlain e Daladier, este último primeiro ministro francês.

Dá ultimatos, para, a seguir, solicitado insistentemente, conceder a ampliação do ultimato para mais 24 horas e realiza uma reunião com Mussolini, Daladier e Chamberlain.

Este último, após uma viagem aérea de sete horas de Londres a Berchtesgarden (a primeira que realizara em sua vida) foi mais uma vez submetido ao tratamento de Hitler – negociações com idas e vindas, endurecimentos e flexibilizações.

Hitler, convicto de que os aliados não aceitariam, exigiu a entrega dos Sudetos à Alemanha. Para sua surpresa Benès, o presidente da Tchecoeslováquia, pressionado por Daladier e Chamberlain cedeu. Estavam confiantes que atendido o que consideravam como último pedido de Hitler, a crise estaria superada e a guerra afastada.

Para surpresa deles ouviram de Hitler:

“Lamento muitíssimo, mas depois dos acontecimentos desses poucos últimos dias, essa solução não mais pode ser aceita”

É claro, a exigência dos sudetos era uma manobra diversionista. O que Hitler queria era a Tchecoslováquia inteira, e para isso precisava de uma guerra. Após muitos pedidos de Daladier e Chamberlain, Hitler, concedeu mais três dias de prazo.

Ficara então manifestamente claro que Hitler queria guerra. Daladier afirmou que a França cumpriria com suas obrigações e defenderia a Tchecoslováquia, e Chamberlain retornou à Inglaterra que se preparava também para a guerra.

Mas Hitler tinha ainda mais “jogadas” à sua disposição. Num discurso insultuoso, declarou alto e bom som que o território dos sudetos era a última exigência territorial que fazia na Europa.”

Chamberlain ganhara mais um alento. Pede então a Mussolini que arranje com Hitler um novo encontro dos 4 países. Hitler concordou, mas exigiu que ocorresse dentro de 24 horas.

Em termos gerais o tratado que veio a ser assinado era o mesmo de antes, cujo foco era a entrega dos sudetos a Alemanha.

Chamberlain, entretanto, retorna exultante a Londres, (30.09.1938) onde, ao sair do avião (numa cena que muitos já terão visto na TV) sacode um papel no ar dizendo:

Chamberlain retorna a Londres. Ao sair do avião sacode papel no ar: "Acredito que isso seja a paz em nosso tempo."

Chamberlain retorna a Londres. Ao sair do avião sacode papel no ar: “Acredito que isso seja a paz em nosso tempo.”

“Acredito que isso seja a paz em nosso tempo.
A paz com honra”

Mais uma vez Hitler conquistava outra nação européia sem disparar um só tiro. Chamberlain ainda falava de um acordo, quando as bombas alemãs caíam em Varsóvia. Iniciava-se assim a II Guerra Mundial, com o ataque devastador à Polônia, e a declaração de guerra por parte da França e Inglaterra.

Leo Amery, do partido conservador, usando as frases de Oliver Cromwell ao dissolver o Parlamento em 1653, abalado e desfigurado pela tristeza, disse a Chamberlain:

“Saia. Deixem-nos agir. Em nome de Deus, saia”