O regime representativo é praticado nos Estados modernos. A representação democrática pode se dar sob diferentes modalidades, que hoje são usualmente chamadas de formas de Governo. A designação original para as formas do regime representativo é: Governo de Assembleia ou Diretorial, se a Constituição dá predominância ao Legislativo; Governo Presidencial, se a Constituição predomina o Executivo; e Governo Parlamentar ou de Gabinete, se a Constituição estabelece a colaboração equilibrada entre os dois poderes. No entanto, desde o século XIX, o parlamentarismo e o presidencialismo são as formas mais universalmente praticadas no mundo, e que a moderna democracia tem assumido na imensa maioria dos casos.

Governo de Assembleia ou Diretorial

O Governo de Assembleia ou Diretorial apareceu durante a Revolução Francesa, com a Convenção Nacional. É aquele em que o Poder Executivo está subordinado inteiramente ao Legislativo. Hoje, essa forma de regime democrático só existe na Suíça, ainda assim apenas constitucionalmente. Isso porque, embora a Constituição determine como responsabilidade da Assembleia Federal a eleição e supervisão dos sete membros do órgão Executivo, formado pelo Conselho Federal, este último assumiu gradualmente um papel de destaque na direção do processo legislativo, além de sua atribuição na execução da lei federal. Assim, essa forma de regime adotado pela Suíça é bastante semelhante aos dos Estados parlamentares.

Governo Presidencialista

O Governo Presidencial foi organizado teórica e instantaneamente pelos constituintes americanos de 1787, sendo uma combinação de princípios políticos liberais; rejeição absoluta à Monarquia; princípios da teoria política de Montesquieu; e acordos pontuais que resultaram em soluções para problemas conjunturais que se colocaram para os constituintes, e que mais tarde se tornaram teoria constitucional. Genericamente, o Governo Presidencial é conceituado como aquele em que o Poder Executivo é completamente autônomo em relação ao Legislativo e ao Judiciário. Executivo, Legislativo e Judiciário são constitucionalmente independentes e iguais entre si. O Brasil importou os moldes do presidencialismo dos Estados Unidos, ao proclamar a República, em 1891.

No presidencialismo, o Executivo é exercido pelo Presidente da República, como um verdadeiro poder do Estado, sem qualquer subordinação jurídica ou política ao Legislativo, sendo sim responsável perante os eleitores. O governo somente pode mudar quando se extinguir seu mandato, ou mediante o complexo sistema de apuração de crime de responsabilidade, em que os poderes Legislativo e Judiciário são envolvidos, podendo culminar no “impeachment” da autoridade governamental acusada do crime.

No presidencialismo, então, não somente a função de Chefe de Estado, mas também a de Chefe de Governo, são atribuídas ao Presidente do país, que compõe o Poder Executivo juntamente com o Ministério. Os Ministros são escolhidos e nomeados pelo Presidente da República, não podendo ser vinculados ao Legislativo, pois, estando no Executivo, não podem pertencer, ao mesmo tempo, a outro poder. O Parlamento, nesse caso, é responsável tão somente por suas tarefas legisladoras.

No entanto, experiências empíricas mostram que o Poder Executivo no Governo Presidencial, em muitos casos, como no Brasil, não permanece autônomo ao Legislativo, pois o presidencialismo funciona na lógica da coalizão, para otimizar a governabilidade na aprovação de propostas. Os Ministros que compõem o Gabinete Presidencial não são nomeados apenas como meros auxiliares, mas sim, de acordo com um pacto de aliança partidária, garantindo assim um Governo de maioria.

Governo Parlamentarista

O Governo Parlamentar foi uma lenta criação da história política da Inglaterra, que o denominavam Governo de Gabinete. Sua consolidação se deu ao longo dos séculos, pela interação em diferentes momentos entre a Monarquia e o Parlamento, as quais são as duas mais importantes e permanentes estruturas inglesas. A gênese do Parlamento foi o Conselho Privado (Privy council) que os reis ingleses tinham como órgão extralegal da administração do reino. O Conselho Privado era formado de nobres e altos dignitários que, por parentesco ou amizade, gozavam da intimidade e confiança do monarca. O número excessivo de membros, porém, e o hábito que sempre existiu de consultar o rei e alguns homens mais íntimos e de mais estrita confiança, fez com que, dentro do Conselho Privado, se formasse um pequeno grupo ou comitê, ao qual o monarca ouvia sobre assuntos mais graves, que não deviam ou não podiam ser submetidos ao plenário do Conselho Privado. Esse grupo (comitee of State, cabinet) foi a origem do gabinete do Governo parlamentar.

Parlamentarismo existe quando o Executivo depende da confiança do Parlamento, mas não é subordinado completamente ao Parlamento. Nessa forma de representação, o Parlamento assume as funções principais de governabilidade. Presidente ou Monarca representa a imagem moral da Nação, executando apenas a função de Chefe de Estado (pessoa jurídica de direito público externo). Desta forma, o Presidente da República ou Monarca não governa, nem vota nas reuniões do Conselho de Ministros, mas apenas aconselha, sugere e pondera, quando tem autoridade moral para isso.

O Chefe de Governo é o Primeiro Ministro, o qual exerce o Poder Executivo. A administração e a política geral do Estado são dirigidas pelo Ministério de acordo com a opinião da maioria da Câmara. O Conselho de Ministros é organizado da seguinte maneira: o Presidente da República escolhe um dos líderes ou chefes parlamentares para Presidente do Conselho e este designa os demais ministros, dentre os integrantes do Parlamento, de modo a poder contar com a maioria da Câmara. Usualmente o Chefe de Estado convoca para chefiar o Governo, o líder do partido que obteve maioria no Parlamento. Todos os ministros continuam membros do Parlamento, de forma integral, com direito a voto. O Primeiro Ministro é designado sem prazo de mandato, podendo ser destituído a qualquer hora pelo Parlamento, por um voto de desconfiança. Assim como, quando em um assunto grave e importante, o ato de um ministro é desaprovado pelo Parlamento, todo o gabinete deve demitir-se, como sansão a sua responsabilidade política e solidária, porque atos dessa natureza se presumem praticados com o conhecimento e apoio do de todo o gabinete. Agora, se o Presidente da República dissolver a Câmara, por julgar que é o Gabinete que está agindo de acordo com a opinião geral do eleitorado, o Gabinete permanece em seu posto. Portanto, não há mandato fixo para o Governo.