Numa sociedade assim, os valores perdem a referência territorial em troca da funcional, originada pela intensa divisão do trabalho e pela especialização.

Os interesses então se articulam em função da posição que os indivíduos ocupam na atividade econômica, independentemente do local onde se encontrem.

De uma maneira geral e comparativa, há quatro tipos principais de grupos de pressão:

  • Agrários
  • Trabalhadores industriais
  • Empresários
  • Profissionais
  • Outros (variam em cada país)

Grupos de pressão agrários

O sistema tradicional de representação de interesses, como já foi exposto, era de base territorial e correspondia primordialmente à atividade econômica rural. Com a modernização social, decorrente da industrialização e da urbanização, a atividade rural perdeu a hegemonia que possuía na sociedade tradicional.

MST
Os grupos de pressão ligados à atividade rural são muito comuns na maioria dos sistemas políticos

O mundo rural teve seus recursos de capital e mão de obra drenados em favor da revolução comercial e, depois, da industrial. Como consequência, a proporção da população rural sobre a total diminuiu drasticamente, os grandes capitais e o poder político deslocaram-se do mundo rural para as cidades e as mudanças na economia sujeitaram a atividade rural a flutuações econômicas – financiamento, comercialização, estocagem, competição internacional, oscilação de preços, entre outras – que a fragilizaram. Tal situação criou a necessidade de buscar uma outra forma de representação de interesses, mais eficiente que a territorial.

Grupos de pressão ligados à atividade rural são, portanto, muito comuns na maioria dos sistemas políticos, exercendo sua influência em todos os níveis – local, estadual e nacional. Dada a natureza da atividade econômica agrícola, sujeita a variáveis sobre as quais não possui controle, os grupos de pressão agrários agem de maneira mais defensiva do que ofensiva sobre o sistema político. Em outras palavras, dedicam-se mais a evitar medidas que os prejudiquem, do que a promover medidas que os beneficiem. Além disso, caracterizam-se também por inúmeras divisões internas, em função do tamanho da propriedade, da sua especialização produtiva, da sua orientação de mercado – interno e externo -, do nível de tecnologia praticado e tantas mais que comprometem severamente sua capacidade de coesão política.

Grupos de pressão de trabalhadores

Os grupos de pressão de trabalhadores pertencem ao mundo moderno, urbano e industrial. Suas bases são os sindicatos que se organizam em função do setor industrial correspondente – têxteis, metalúrgicos e outros – que, dependendo da força do setor, podem chegar individualmente a uma posição de poder considerável.

Sindicatos
A greve é a: principal arma de combate dos trabalhadores na defesa de muitos interesses

Os sindicatos industriais, pela magnitude e pelo número de operários que reuniam, formaram desde o século 19 partidos operários que lutavam pela conquista do poder. Na Europa, no fim daquele século, partidos socialistas, cuja base era formada pelos sindicatos operários, começaram a chegar ao poder, dando origem aos partidos da chamada socialdemocracia, como é o caso do Partido Trabalhista inglês e do Partido Socialista francês.

Os trabalhadores industriais deram origem, portanto, a grupos de pressão setoriais – sindicatos de setores industriais -, a grupos de pressão abrangentes – confederações -, como até mesmo a partidos políticos. Ao longo dos séculos 19 e 20, os operários conseguiram com suas lutas muitas conquistas, tanto no campo salarial, como no das condições de trabalho, assim como no campo político – sufrágio universal.

Como grupos de pressão, eles atuam sobre órgãos legislativos – para os quais elegem seus representantes -, sobre o governo e também sobre a opinião pública. Sua principal arma de combate na defesa de seus interesses é a greve. Os fatores que têm reduzido a sua força e comprometido a sua unidade são de natureza política – a partidarização e a ideologização -, administrativa – a burocratização – e a natureza dos vínculos com o Estado – o atrelamento.

O Estado intervém diretamente na provisão de serviços para a população mais necessitada, o que gera uma área de atrito com a tradição liberal de profissões como a medicina

Grupos de pressão empresariais

Também pertencem à sociedade moderna. Com o declínio da importância da agricultura, os empresários do comércio, da indústria e do setor de serviços ocuparam a posição de centralidade econômica e política na sociedade moderna. A democracia de massas, a força do sindicalismo operário, o radicalismo dos movimentos socialistas, e o populismo dos políticos, logo convenceu os empresários que “a política era uma atividade de muita importância para ser entregue totalmente aos políticos”.