Antes de começar a falar aguarde o silêncio chegar. Atenção. Neste momento começa um “jogo de braço” entre você e seu público. O mesmo que o professor enfrenta em aula com seus alunos. Ou você conquista o silêncio para poder ser ouvido, ou você entra em disputa com o barulho criado pelas conversas.

Conquiste o silêncio primeiramente com o seu silêncio. Uma vez anunciado e aplaudido, se o ruído ainda for alto, permaneça em silêncio. Este silêncio de quem devia estar falando, deve ser suficiente para você conseguir o silêncio deles.

Agora, cuidado. Se você não conseguir o silêncio do auditório com esta atitude, não insista nela, para não parecer arrogante, vaidoso e, por consequência, antipático.

Se o ruído diminuiu bastante comece a falar. Se ainda continua muito alto, volte-se para a pessoa que convocou a reunião, com um sorriso no rosto, para que ele reassuma a posição de coordenador do evento e apele por silêncio ao público.

Melhorar o silêncio

Chegamos assim a um ponto central deste rol de alertas, conselhos e recomendações para falar bem em público.

Tendo obtido o silêncio para começar seu discurso trate agora de melhorar o silêncio pela qualidade e oportunidade do que você tem a falar. Como disse Baltasar Gracián, grande pensador do século XVII, “só se deve falar para melhorar o silêncio”. Muito melhor seria a vida, se este mandamento fosse respeitado!

Essencialmente, falar em público implica em “romper com o silêncio” sobre aquele assunto, naquele momento, para aquelas pessoas. Só se rompe com ele para melhorá-lo.

O Cardeal Richelieu, primeiro ministro do rei Louis XII, célebre por sua obra, composta de conselhos políticos ao monarca dizia:

“Convém sempre ser comedido ao falar e escrever, e exteriorizar somente o que for necessário. Quando as palavras escapam, através da língua ou da pena, torna-se bem difícil controlá-las.”

O político deve falar e deve falar bem. Esta é uma arte do seu “ofício” que precisa ser dominada. Não há a menor dúvida que a oratória conquista, convence, persuade; nem tampouco que a argumentação consistente e sólida se impõe; nem mesmo que a dramatização oportuna e apropriada comove e sensibiliza; e que o uso habilidoso das palavras pode seduzir.

A questão da valorização da palavra torna-se então de suma importância para o político, exatamente pelo uso intensivo e frequente que dela faz no exercício de seu ofício.

A questão da valorização não reside, pois, no ato de falar ou não, e sim em nuances do ato de falar, como:

  • A oportunidade escolhida,
  • Sobre que falar,
  • O quanto falar,
  • Com quem falar,
  • De que forma falar,
  • E, inversamente, sobre que, quando e com quem não falar.

Não esqueça que a oportunidade de dizer uma palavra, pronunciar um julgamento, dar uma opinião, sempre existe.

A capacidade de apagar o que foi dito, lograr que seja esquecido, impedir a sua circulação, esta não existe.