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A mente da imprensa

James Carville, em Alls Fair, cita Mandy Grunwald, consultora de mídia da campanha de Clinton em 1994, numa frase que se tornou célebre:

“A mídia é um monstro gigantesco que se alimenta de diversas manchetes por dia, e que precisa ser continuamente alimentado. Ou você o alimenta ou ele alimenta-se de você”.

Os jornalistas talvez não gostem muito da frase, mas o fato é que ela expressa uma verdade. Diariamente um exército de repórteres sai às ruas em busca “da notícia” , o único prêmio pelo qual vale a pena todos os sacrifícios, impertinências e até riscos.

O importante para entender a mente da imprensa é entender que, para eles, a notícia está lá, ela existe, mas, quanto mais valiosa e “suculenta” ela for, mais escondida estará. Por isso seu trabalho é de procura, busca, investigação, e o prêmio: encontrá-la, se possível de maneira exclusiva.

Nesta tarefa seus principais auxiliares são “as fontes” , aqueles nomes anotados no caderninho de endereços, que serão contactados para obter fragmentos de informação. Por isso, as fontes são protegidas pelos jornalistas, por isso as fontes não podem mentir.

Uma fonte pode repousar no caderninho por anos, até que a possibilidade de uma matéria a reaviva. Relações com fontes são permanentes e indispensáveis ao trabalho do repórter. Numa campanha eleitoral, um exército de jornalistas sai às ruas diariamente, atrás das notícias. E a notícia pode ser você.

Não obstante o trabalho individualizado em busca de “furos” e notícias exclusivas e originais, a imprensa (TV, rádio e jornal) sempre trabalha com a “espada de Dâmocles” do horário de fechamento, pendente sobre a cabeça dos jornalistas (é preciso alimentar “o monstro” diariamente, e ele tem os seus horários…).

A linha básica da cobertura

A pressão do horário de fechamento, combinada com o fato de que, no dia a dia, a matéria principal acaba sendo a mesma para todos, leva à cristalização de uma linha básica de cobertura. O problema é que, depois de fixada esta linha básica, você pode batalhar por dias e não conseguir alterá-la.

Se esta linha básica não o prejudica, ou o ajuda tudo bem. Mas se ela o prejudica, é um problema sério que você terá, porque a mídia resistirá muito a mudá-la. A única saída que lhe resta será tentar que abram espaço para ouvir o seu lado, a sua maneira de ver o assunto.

Normalmente esta linha básica é definida em função dos resultados das pesquisas. O jornalista vai argumentar com você que a cobertura está sendo objetiva e imparcial, porque está seguindo os resultados das pesquisas.

Assim, se um candidato está caindo nas pesquisas, a mídia tende a aprofundar mais as razões que o levam a cair, o que implica uma cobertura ruim para quem busca sair do aperto. Se, por outro lado, o candidato está subindo na pesquisa, a mídia abre espaços para ele, elabora cenários de vitória, o que implica uma cobertura favorável.

O argumento implícito é que, se alguém está subindo nas pesquisas é porque a população o está apoiando, e inversamente, quem está caindo está em desfavor. A mídia estaria então seguindo o rumo ditado pela opinião pública.

É claro que estamos falando da cobertura de uma maneira geral e que sempre haverá articulistas e comentaristas que, estando mais livres da pressão de fazer o noticiário diário, seguem rumos próprios nas suas análises e comentários.

Outro fator que determina a linha básica, é a divulgação de denúncias, e de escândalos. Uma denúncia grave feita, é uma pauta obrigatória, mesmo que venha de outro veículo. No caso da eleição presidencial atual, este fato tem ocorrido com grande frequência, e tem cabido às revistas semanais pautar a cobertura da semana entrante, com as denúncias e escândalos que divulgam na edição de fim de semana.

A linha básica da cobertura leva a imprensa a procurá-lo para repercutir notícias ou declarações, enquanto você está interessado em divulgar suas ideias, projetos e opiniões. Este é o campo de batalha diário onde se confrontam jornalista e candidato.

O candidato leva para o contato um assunto que ele já pré-selecionou como matéria de seu interesse, mas com potencial de ser notícia e tenta “vendê-la” ao jornalista, enquanto este, não tem a mesma avaliação do potencial de notícia que lhe é oferecido, mas tem a sua linha a seguir, que pode ser irrelevante ou mesmo desinteressante de comentar, do ponto de vista do candidato.

O melhor caminho que você terá para obter a cobertura que deseja é tentar relacionar o que você tem a dizer à linha básica. Você atende ao jornalista, e obtém um espaço para sua mensagem. Mudar a linha básica da mídia, você somente vai conseguir se puder oferecer um “furo” de reportagem, uma revelação nova e impactante, uma denúncia ou uma acusação.

Não esqueça: uma vez que a mente coletiva da imprensa está definida, ela não muda. Se você não entender isto nunca vai entender como a mídia funciona.

Por isso, você e sua equipe de imprensa devem ser rápidos e tentar chegar primeiro que os outros com a sua história. Carville usa uma expressão forte para esta situação: ” A história é criada em 3 minutos. Não deixe a oportunidade passar. Se você chegar 1 minuto atrasado é muito tarde, a chance passou.”