Grande parte, do que chamamos de Sabedoria da Política, diz respeito a regras para o comportamento do líder político e do governante. Os pensadores que desenvolveram este corpo de conhecimentos – a escola realista da política – debruçaram-se sobre a história, para descobrir, na vida dos grandes líderes, as regras do sucesso e do insucesso na política.

Este conhecimento é apresentado sob a forma de conselhos e advertências breves, claras e conclusivas. São breves porque supõem-se que seu mero enunciado é facilmente compreendido; são claras, a ponto de parecerem, em certas situações, cínicas, porque fogem do que seria à época o “politicamente correto”, em troca da afirmação dura da verdade e da realidade; são conclusivas porque recomendam sem nenhuma ambiguidade, o que se deve fazer e o que se deve evitar.

As razões que oferecem para propor advertências e conselhos, de forma tão inequívoca e contundente, são escassas. Alguns poucos comentários que sumariamente explicitam o significado do conselho, ou comentários de exemplos históricos de governantes que agiram certo ou errado.

São, na verdade, máximas que valem por si mesmas na medida em que são aceitas por quem as lê, e nelas identifica uma verdade, uma advertência oportuna, um conselho valioso.

Maquiavel, Gracián, Guicciardini, Richelieu, são alguns dos nomes de uma galeria de grandes pensadores.

Como se poderia esperar, há um elevado grau de repetição entre eles, ao enunciarem seus conselhos. Não apenas repetição, mas o que é mais importante, coerência e sintonia, na identificação dos erros e nas recomendações e conselhos.

Por estas razões, salvo casos em que a fórmula foi apresentada pelo que hoje chamaríamos de soundbite, afirmar a autoria, decretar a precedência, é matéria de menor relevância.

Nunca se queixe

Queixar-se, para outros é sinal de fraqueza, um sinal que qualquer líder ou governante deve sempre evitar. As pessoas queixam-se em busca de solidariedade e compreensão, mas, na política, o que recebem é desprezo e insolência, além de estimular os que ouvem a comportarem-se como aqueles de quem você se queixa.

Você, por seu comportamento queixoso, mostrou a eles que sua reação ao agravo é a autopiedade e a queixa, nenhum dos quais assusta ou impõe respeito. Queixas sempre irão desacreditá-lo, diminuí-lo. Guarde para si este tipo de sentimento. Para os outros é melhor não falar nada, e comportar-se como de hábito. Eles verão que você não foi abalado pelo agravo e não revela o que pretende fazer.Também não saia alardeando o que vai fazer como reação ao agravo sofrido. Você cria uma obrigação de fazer algo que talvez, pensando melhor, decida não fazer. Quando decidir agir, faça com que seus atos falem por você. Perguntado, não comente o que fez. As pessoas vão temê-lo e repeitá-lo, pela sua reação e mais ainda pelo seu comportamento discreto.

O líder prudente nunca torna público qualquer agravo ou desonra que sofreu. Fala somente da estima de que foi alvo.

Nunca exagere

Não é um sinal de sabedoria e prudência usar superlativos. Como diz Gracián “eles ofendem a verdade e lançam dúvidas sobre sua capacidade de julgamento”. Não exagere nem suas vitórias, nem suas derrotas. Simplesmente não exagere, seja moderado ao falar.

O líder que se revela sereno e moderado ao falar, demonstra fortaleza, solidez e maturidade, qualidades que o credenciam para liderar pessoas. Na sua manifestação externa fique sempre bem aquém do que sente internamente, tanto na alegria como na dor. Ao exagerar você desperta a curiosidade das pessoas, excita o seu desejo e mais tarde, quando a realidade do que fala se manifesta, parecerá muito aquém do descrito, frustrando as expectativas criadas, fazendo com que as pessoas se sintam enganadas e despertando nelas o sentimento de desvalorizar, além da conta, tanto o fato como o narrador.

Não dê explicações que não lhe foram pedidas

E, mesmo que sejam pedidas, não se precipite a explicar-se. Procure envolver a explicação num tema mais geral, de maneira que não pareça como tal. Não solicitadas então, é impensável que você ofereça explicações para comportamento ou declaração sua.

Dar explicações que não foram solicitadas equivale a incriminar-se, é

“se auto-inflingir uma ferida, quando você está saudável; é atrair a desconfiança e a malícia”.

Dar explicações que não foram pedidas é diminuir-se além da conta.

O líder prudente “não pisca”. Diante da suspeita de outra pessoa, não revela por nenhum
sinal seu desconforto. Deve ser capaz de dissimular, se for preciso, de maneira serena, firme e discreta.