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O comercial Willie Horton derruba Dukakis

Willie Horton talvez seja o mais famoso comercial de ataque já produzido nos EUA e o modelo dos “comerciais malditos”, aqueles que se situam nos limites extremos da fragilizada ética eleitoral. “Se eu conseguir fazer com que o nome Willie Horton se torne um nome familiar para os americanos, ganharemos esta eleição”. Com esta frase, Lee Atwater, coordenador da campanha presidencial de Bush, antecipou, com precisão, o impacto destruidor da exploração do “caso Willie Horton” na campanha presidencial.

Dukakis, governador do estado de Massachussets, democrata e liberal, defendia e praticava, em matéria penal, o princípio da recuperação do prisioneiro cumprindo sentença. Uma das medidas que adotara era a de permitir saídas de fim de semana para condenados que preenchessem certas condições e que tivessem bom comportamento. Willie Horton era um destes condenados.

Horton havia sido condenado à prisão perpétua por haver roubado e assassinado um jovem com 19 facadas. Enquanto cumpria sentença obteve 10 passes de fim de semana. Na última vez em que ganhou o benefício, Horton fugiu, seqüestrou um jovem casal, esfaqueou o rapaz e estuprou várias vezes a moça.

Associação Americanos por Bush financiou o comercial, produzido por Larry McCarthy, que foi considerado o mais importante fator na recuperação de Bush, e, sem sombra de dúvidas, na derrubada de Dukakis.

O comercial (assista abaixo)

O texto do comercial (lido em off) era basicamente o seguinte:

A diferença entre Bush e Dukakis na questão da criminalidade: Bush defende a pena de morte para criminosos de primeiro grau. Dukakis não apenas opõe-se à pena de morte, como permite que criminosos de primeiro grau ganhem passes de fim de semana.

Um destes criminosos foi Willie Horton que estava preso por haver matado um menino enquanto o roubava, esfaqueando-o por 19 vezes. Apesar de ter sido condenado à prisão perpétua, Horton obteve 10 passes de fim de semana.

Horton, fugiu, seqüestrou um jovem casal, esfaqueou o rapaz e estuprou repetidas vezes a moça. Passes de fim de semana para criminosos: a política de Dukakis para o crime.

Enquanto este texto era lido em off apareciam telas na TV que seguiam a seguinte sequência:

  • Foto 1 Dukakis com aparência distraída e com a legenda: Permite que assassinos passem fins de semana fora da prisão.
  • Foto 2 Horton, fechada no rosto e chapada com a legenda: Willie Horton
  • Foto 3 Willie Horton preso por um policial com a legenda: Sequestrando, esfaqueando, estuprando
  • Foto 4 Dukakis ( a mesma foto) com o texto: Permite que assassinos passem fins de semana fora da prisão.

Willie Horton tornou-se o modelo emblemático dos “comerciais malditos” pela exploração chocante que faz de um crime violento em benefício de um candidato e pelo fato, nada desprezível nos EUA daquela época, de que Horton era negro.

O fato, entretanto, é que, do ponto de vista estritamente eleitoral, o comercial foi muito eficiente. Caracterizou Dukakis como “soft” em matéria de combate ao crime e à violência e definiu Bush como “hard” na mesma matéria.

Um candidato liberal conceituado, governador de um dos mais importantes estados da federação, um dos maiores líderes do seu partido, ficou irreversivelmente associado a um criminoso cruel e a um crime brutal e violento.

O eleitorado respondeu emocionalmente.

Nada do que Dukakis dissesse para defender seus argumentos, e para condenar a forma como um crime brutal estava sendo politicamente explorado, com objetivos eleitorais, poderia conseguir apagar, da mente do eleitor, as imagens fortes e chocantes e a narrativa do episódio apresentadas no comercial. Lee Atwater estava certo. Willie Horton tornou-se um nome conhecido de todos os americanos e Bush ganhou a eleição.