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A pá de corte: conquiste a simpatia pela autenticidade

Uma vez, há vários anos atrás, dirigi uma campanha numa cidade do interior do Rio Grande do Sul, quando sem esperar me deparei com uma lição de política que surgiu espontaneamente do contato do candidato com alguns eleitores.

Meu candidato era o homem mais rico da cidade, mas que construiu sua riqueza pelo trabalho, muitas vezes envolvendo-se em trabalhos manuais. Era e é, como se pode imaginar um homem simples, de fácil acesso pessoal e muito simpático. Ele concorria a prefeito, sua primeira experiência com eleições.

Um dia estávamos fazendo um corpo a corpo num bairro pobre da cidade, onde se sabia que ele politicamente não estava bem. Andava, acenava e volta e meia parava para cumprimentar e conversar com os moradores. Alguns mostravam interesse em cumprimenta-lo outros se afastavam, a indicar que não estavam interessados em fazer contato.

Quando se aproximava de uma residência, onde havia um grupo de pessoas em volta de um casal que discutia, a senhora chamou meu candidato e lhe foi dizendo:

“Aqui o pessoal vai votar no fulano e não no senhor”

Ele respondeu:

“Tudo bem, o voto é livre, mas de todo modo gostaria de conversar um pouco com vocês. O que estavam discutindo?”

Ela, então disse:

“Eu estava me queixando do meu marido que não consegue fazer um buraco bem feito para plantar esta muda.”

A turma em volta (que já aumentara) começou a rir e a zombar do marido que resmungava qualquer coisa que ninguém entendia.

Foi então que o candidato pediu ao marido a pá que ele tinha nas mãos. Era uma pá de corte. Sem perder tempo ele aplicou quatro golpes vigorosos de modo a fazer um quadrado, levantou a terra deixando um buraco perfeito para plantar a muda. Concluído o trabalho entregou a pá.

Foi então que a esposa disse a seu marido sorrindo:

“Ele sabe melhor do que tu. Quero ver agora se vais votar no fulano, depois do que este ai fez com a pá!”

Se me lembro bem não ganhamos naquele bairro, mas a atitude do nosso candidato surpreendeu a todos que a assistiram e criou uma atmosfera de simpatia em volta dele.

O mais importante, contudo, é que nada foi programado; que a atitude dele foi espontânea; que ele não teve dificuldade de entrar no clima de brincadeira que havia; e que ele não procurou tirar vantagem política de sua ação.

A lição é simples: as pessoas estabelecem um contato pessoal com quem entra no convívio deles, sem pretender nada (Aqui vamos votar no fulano e não no senhor…) neste caso por que ele conseguia agregar uma novidade na brincadeira que estava em curso.

Durante uma campanha eleitoral, ou mesmo durante o mandato, haverá muitas oportunidades para agir espontaneamente e conquistar a simpatia do eleitor. O voto virá ou não por via de consequência. Mas conquistar a simpatia pela autenticidade da comunicação e do contato é sempre meio caminho para o apoio.