Sim, ela é a fotografia de um momento, o instantâneo que fixa o sentimento e a opinião dos eleitores na data em que ela foi feita. Ao mesmo tempo ela é muito mais que o registro fotográfico de um momento.

Os eleitores não são tão volúveis a ponto de que, a cada nova pesquisa possam mudar completamente suas opiniões.

Assim como uma série de fotos de uma mesma pessoa revelará diferenças – cada uma será ligeiramente diferente das demais – elas também revelarão a semelhança básica, decorrente do fato de que se trata de uma mesma pessoa.

Nas pesquisas ocorre o mesmo. Os eleitores têm opiniões sobre questões políticas que possuem variados graus de consistência e permanência. Muitas destas opiniões estão cristalizadas e não mudam.

O eleitor, além disso, como qualquer pessoa, valoriza a sua coerência. Coerência com decisões de voto que teve no passado, coerência com princípios que valoriza, coerência com as prioridades que tem e coerência com a imagem que possui dos candidatos.

Laptop mostrando gráficos
A pesquisa funciona como um aviso, que pode ser positivo ou negativo

Essa lealdade às suas coerências assegura uma base de permanência aos resultados, contrariando o pensamento ingênuo de que os resultados não passam da foto daquele momento.

Nenhuma pesquisa, individualmente considerada, mormente se tiver sido realizada com muita antecipação em relação ao dia da eleição, pode ser considerada definitiva. Entretanto, no mínimo, elas indicam tendências.

“A pesquisa não passa de uma fotografia do momento. A única pesquisa que importa é a das urnas, e, quando chegarmos lá, os resultados serão muito diferentes”

Tudo bem que o candidato, em plena campanha, dê aquela resposta padrão para sair da “saia justa” em que ficou, com uma pesquisa revelou resultados desfavoráveis:

Tudo mal se começar a acreditar no que disse, o que ocorre com muito maior frequência do que pode parecer.

A pesquisa é sempre um aviso, desvela tendências, indica o quanto a candidatura está “pegando” no eleitorado. Se os resultados são negativos, há que encontrar as razões para eles e os meios de corrigí-los. Se positivos, há que identificar as razões para continuar na linha certa.

À medida que o dia da eleição se aproxima, os resultados vão se tornando mais confiáveis, pela simples razão de que os eleitores estão definindo suas preferências em maior número.

Se a pesquisa eleitoral for feita muito próxima da data da eleição, os entrevistados estarão mais informados e seguros de sua decisão, mas, por outro lado, o tempo útil para usar estas informações na campanha é muito reduzido e na maioria dos casos manifestamente insuficiente.

Assim, enquanto o quesito informação fica bem atendido, o quesito timing fica irreversivelmente prejudicado. Por outro lado, se a pesquisa for feita muito antes da eleição verifica-se a situação oposta: o quesito timing, nesse caso, é atendido favoravelmente (há tempo de sobra para agir), mas o quesito informações tende a ser pobre e pouco confiável.

Os entrevistados estarão ainda muito “desligados” da campanha e dos candidatos para comunicar uma informação consistente sobre suas preferências. Nessa situação, haverá um número muito expressivo de respostas do tipo “Não Sabe” ou “Não Respondeu” a ponto de comprometer a identificação de tendências confiáveis.

Por fim, maus resultados na fase inicial da campanha não são tão graves quanto maus resultados na fase final.

Para uma campanha atenta, inteligente e crítica, sempre haverá o que fazer para tentar reverter maus resultados. Nem sempre haverá sucesso, mas, muitas vezes, o alerta da pesquisa funciona como uma descarga de adrenalina, que empurra a campanha para resolver problemas que não estavam sendo devidamente considerados.

Maus resultados não devem provocar pânico (principalmente se surgirem nas fases iniciais da eleição), mas maus resultados são maus resultados! Indicam que alguma coisa não vai bem e que precisa ser urgentemente resolvida.