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As pesquisas de fim de campanha

Há muita controvérsia sobre o verdadeiro poder e impacto das pesquisas de fim de campanha (últimos 10 dias). Existe um sentimento intuitivo de que elas são importantes, a julgar pelo uso que os candidatos fazem delas, neste período.

Quem está à frente, apresenta gráficos com colunas ou curvas, para fixar a ideia de que vai ganhar. Quem está em segundo, utiliza, quando pode, a margem de erro a seu favor para arguir a existência de um empate técnico, de natureza estatística.

Quem está mais atrás recorre ao procedimento de negar os resultados desfavoráveis, arguindo que eles não reproduzem a sua experiência no contato com os eleitores, ou que possuem suas próprias pesquisas que dão resultados diferentes e mais favoráveis. De uma forma ou de outra, todos os candidatos referem-se às pesquisas seja para beneficiar-se dos seus resultados, seja para deles se defenderem.

A maneira de lidar com os resultados das pesquisas, varia em função do grau de competitividade da eleição. Se na eleição há um candidato que está “disparado” à frente das pesquisas, mantendo uma larga diferença em relação ao seu adversário mais próximo, fica difícil para quem está atrás tentar invalidar aqueles resultados.

O candidato que está na frente das pesquisas, apresenta gráficos com colunas ou curvas, para fixar a ideia de que vai ganhar.

Nestas situações, o candidato que está atrás vai provavelmente tentar mostrar que “as coisas estão mudando”, e que até o dia da eleição os resultados serão diferentes. Sua publicidade então deverá privilegiar os “sinais” de que as “coisas estão mudando” (cenas de comícios, carreatas, novos apoios, manifestações públicas de aceitação popular, testemunhais, etc.), e evitar abordar o assunto pesquisa.

De sua parte, o candidato que lidera com folga as pesquisas, vai fazer o mesmo, usando os gráficos dos resultados como contraponto às imagens públicas de apoio. Se, entretanto, a eleição for muito disputada, e dois ou mais candidatos aparecem nas pesquisas muito próximos uns dos outros, a estratégia de uso dos resultados muda.

Cada ponto percentual a mais, será saudado como um importante avanço, cada um a menos será desconsiderado como insignificante. A apresentação dos dados deverá privilegiar mais a curva (para quem está na frente) do que as colunas. Quando a diferença não se estabelece quantitativamente, é preferível destacar uma tendência, daí a importância da curva. Ela é apresentada como a evidência de que “as coisas estão mudando”.

Quem está em terceiro, inevitavelmente vai apelar para o argumento de que todos estão empatados, já que as diferenças caem dentro da margem de erro da pesquisa, ou estão muito próximas a ela. Nestes casos, a publicidade usa a pesquisa, mas dela não depende, para argumentar a viabilidade e probabilidade de vitória do candidato.

Estas são as atitudes básicas dos candidatos face aos resultados das pesquisas, sobretudo na fase final da campanha.

Qual é a atitude do eleitor?

Não há estudo conclusivo sobre esta matéria. Ninguém põe em dúvida que resultados de pesquisa têm influência sobre o voto. O grau de influência, entretanto, é discutível e varia conforme a situação dos candidatos na pesquisa.

Não há dúvida que resultados de pesquisa têm influência sobre o voto. O grau de influência, entretanto, é discutível.

Quando um candidato está “disparado” na frente, certamente cria-se a atmosfera de candidato vencedor. Sobretudo se ocorre com uma sequência de pesquisas de institutos diferentes. Neste caso, os eleitores indecisos ganham um forte incentivo para se decidir a favor do líder nas pesquisas. Afinal, se a grande maioria segue naquela direção, porque não seguir também?

O grande problema fica com o candidato que está atrás. Ele precisa conseguir no curto prazo, uma alteração importante nos resultados que lhe favoreça, e indique que o candidato líder está perdendo votos. Caso isto ocorra, o candidato líder corre risco. Sua candidatura, por certo, beneficiou-se da liderança e, numa certa medida, deve estar “inchada”, isto é, com eleitores que estão com ele sem muita convicção.

Se aquela mudança for sinal de uma nova tendência, a eleição que parecia ganha, pode tornar-se competitiva. Normalmente, entretanto, o candidato que está folgadamente na liderança das pesquisas, não perde a eleição.

Já numa eleição muito disputada, na qual os candidatos estão próximos uns dos outros, a pesquisa pode funcionar como a informação estratégica para o “voto útil”. O eleitor, com base nela, pode decidir-se pelo “voto útil”, na tentativa de excluir do segundo turno o candidato que rejeita mais, ou, o que é mais comum, votar naquele candidato que tem maiores chances de derrotar em segundo turno o candidato de sua especial rejeição.

É importante, entretanto, alertar que o eleitor médio (aquela entidade à qual nos referimos como tendo pouca informação, pouco interesse, e pouco acompanhamento da campanha), no caso de eleições disputadas, não adquire uma ideia tão clara sobre as pesquisas, devido à “guerra dos números” que os diferentes candidatos apresentam em sua publicidade.

Cria-se uma verdadeira confusão nas suas cabeças, análoga a que se cria sobre os debates (quem ganhou o debate) ao assistir as diferentes edições do mesmo debate, que os candidatos produzem nos seus programas. A grande influência dos resultados de pesquisa de fim de campanha, entretanto, ocorre junto aos militantes e apoiadores dos candidatos.

Maus resultados abalam o moral da campanha, reduzem as chances de captar recursos, tencionam a equipe para buscar uma solução imediata que os reverta (o que costuma levar a decisões mal pensadas e impulsivas), afrouxam laços tênues de apoio, e geram um clima de derrota antecipada.

Bons resultados, ao contrário, têm o efeito inverso. Motivam os trabalhadores da campanha, facilitam a captação de fundos, reforçam a linha publicitária e estratégica perseguida, e criam o clima de entusiasmo e de proximidade da vitória.