Poder e influência são conceitos tão próximos que, é comum serem usados como sinônimos. Na realidade, é fundamental para a análise política distinguí-los, porque se referem respectivamente a situações muito diferentes.

O conceito de influência é, na verdade, mais amplo que o conceito de poder, sendo o poder é um dos tipos que a influência pode assumir.

Uma definição prática de influência seria a seguinte:

“A” influencia “B” na medida em que consegue que “B” faça algo que não faria, se não tivesse sofrido a ação de influência.

Para que haja o exercício da influência, portanto é preciso que haja:

  • uma ação de influência de “A” sobre “B” – indução, persuasão, sugestão etc;
  • que resulte em “B” fazendo algo que, por iniciativa própria não faria.

Assim, não se pode falar de influência quando “B” faz por própria iniciativa, ou faria de qualquer maneira por vontade própria, aquilo que “A” deseja que ele faça; como não há influência, quando “A” exerce a influência e “B” não faz o que lhe foi instado.

O que distingue influência de poder é o fato de que no caso da influência, o indivíduo é livre para aceitá-la ou não, para aquiescer à ela ou recusar-se, sem sofrer as conseqüências da recusa.

Já no caso do poder, esta liberdade não existe. Ou o indivíduo submete-se à determinação (e faz o que de outra forma não faria) ou será penalizado pela recusa.

A influência funciona pela persuasão, pela sugestão, pela indução, pelo convencimento, o poder funciona pelo comando, pela ordem.

Na influência não há penalização cominada à não observância, no caso do poder, há sempre o uso ou ameaça do uso da coerção física, para garantir a anuência do comportamento com a ordem.

Mesmo quando o poder usa argumentos de persuasão, estes argumentos não passam de meros coadjuvantes, já que perdura de forma íntegra, a possibilidade de recorrer à sanção física para garantir a anuência do comportamento com a regra.

É, portanto, fundamental ter em mente esta diferença básica entre influência e poder, para analisar o processo político, e evitar os erros teóricos e práticos que decorrem de sua confusão.

A influência, entretanto, possui gradações. As pessoas podem ser comparadas, de acordo com o grau de influência que possuem. É esta variação no grau de influência que mais interessa na análise política.

Como se pode medir então o grau de influência das pessoas?

Pela quantidade de mudança provocada na posição do ator influenciado

Quanto maior for a mudança que “A” provoca em “B” por meio de sua persuasão, maior será a sua influência. Assim, por exemplo, uma pessoa que consegue que outros, não apenas votem no seu candidato, mas também trabalhem por sua candidatura, e contribuam com recursos para a campanha, será mais influente que outra pessoa que consegue apenas que os influenciados se limitem a votar no seu candidato.

Pelo custo subjetivo e psicológico da anuência

Uma pessoa que consegue que outro faça algo que lhe é muito custoso e até doloroso psicologicamente, é mais influente do que outra pessoa que consegue a anuência para a prática de ações de baixo custo psicológico. Por exemplo: conseguir que alguém, que dependa do salário mensal para viver, adira a uma greve é muito mais custoso, psicologicamente, do que conseguir atrair para a greve alguém que possui recursos com os quais se sustentar. Quanto mais sucesso tiver uma pessoa, em conseguir que outros façam sacrifícios pessoais, para seguir a sua orientação, maior a sua influência. Líderes políticos são pessoas que conseguem extrair dos seus liderados, por sua persuasão, confiabilidade e carisma, sacrifícios pessoais, para a realização de um objetivo.

Pelas diferenças no espectro das reações desejadas

Uma pessoa pode ser influente em apenas uma dimensão. Fora dela sua influência é nula. Assim, quanto mais amplo for o espectro das áreas em que a influência se exerce, maior ela será. Esta é a razão pela qual nada se equipara à influência dos pais sobre os filhos. O espectro desta influência é muito amplo, cobre todas as áreas, sobretudo quando os filhos são crianças. Com a idade, a influência dos pais diminui e aquele espectro reduz-se a certas áreas. A partir de então, o jovem e o adulto vão escolher livremente suas influências consentidas.

Pelo número de pessoas que aceita a influência

É óbvio que, quanto maior for o número de pessoas que aceita a persuasão, sugestão, convencimento de alguém, maior será o seu grau de influência. Há pessoas que podem ter influência sobre alguns outros, como há pessoas que conseguem influir sobre multidões.

Estas medidas para avaliar o grau de influência devem ser usadas em conjunto. Nenhuma delas, isoladamente, será satisfatória para todas as situações. De qualquer forma, o máximo de influência se encontra em quem consegue “escores” altos em todas as medidas