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Pós-eleição: a liquidação da campanha

Assim como a montagem da campanha demandou a construção de uma organização complexa e custosa, especialmente para disputar a eleição, a liquidação da campanha também demandará tempo, trabalho e custos.

Se você venceu, tudo é mais fácil, ainda que necessariamente precisará ser feito e bem feito. Mas tudo é mais fácil. Não lhe faltará crédito, apoio financeiro, pessoas dispostas a trabalhar, paciência da parte dos credores, boa disposição e boa vontade.

Se você perdeu, tudo será mais difícil, mas pode-se tornar um verdadeiro tormento se a campanha não foi bem planejada e bem administrada. Se sua campanha foi bem planejada, conseguiu ficar dentro do orçamento, a liquidação não deve dar maior problema, até porque já foi contemplada naquele planejamento.

É claro que será um exercício frustrante desativar uma estrutura organizacional tão carregada de sentimentos e esperanças, descontinuar abruptamente hábitos e atividades que constituíam o dia a dia de tantas pessoas. Mas paciência, precisa ser feito, e quanto mais rápido e eficientemente, melhor.

Se você venceu não faltará crédito, apoio financeiro, pessoas dispostas a trabalhar, paciência da parte dos credores, boa disposição e boa vontade

Se, entretanto sua campanha, na ânsia da disputa e esperança da vitória, saiu fora de controle, gastou mais do que podia, perdeu, nas últimas fases controle sobre a administração do material e dos equipamentos, deixou de registrar despesas para ulterior comprovação, engajou-se em pendências judiciais, então você se prepare para ingressar num período de muitas chateações.

Acontece então o oposto do que ocorre com a campanha vitoriosa: os credores ficam impacientes e inseguros, a última folha de pagamentos do pessoal foi gasta, há material e equipamento alugado e que você não sabe com quem está, poucos se disporão a ajudar financeiramente uma campanha derrotada, o comitê de campanha fica deserto, e poucas pessoas estarão dispostas a gastar seu tempo para ajudá-lo na liquidação.

Por estas razões é que se recomenda manter a campanha sempre submetida a um planejamento realista, não se arriscar em ficar no “vermelho” muito além do que você pode, com segurança, bancar e liquidar contas e despesas regularmente.

Além disso, é fundamental também, ainda durante a campanha, garantir o compromisso de um grupo fiel, para os trabalhos de liquidação, e tomar providências discretas (você não vai querer dar a impressão para seus auxiliares que está se preparando para a derrota) para já ir identificando os materiais e equipamentos locados, separando e organizando aquilo que não mais será usado, pondo em dia a sua contabilidade de campanha, para que os trabalhos de liquidação sejam executados com eficiência, rapidez e segurança.

Não é fácil para quem perdeu, ter que se ocupar dos despojos da derrota, mas não há outra saída. O responsável final, perante a Justiça Eleitoral, é o candidato. Não é necessário, nem desejável que o candidato ele mesmo se ocupe de “empacotar”, “negociar com credores”, e sair em busca de material locado.

A liquidação assim como a campanha também demandará tempo, trabalho e custos. Será preciso “negociar com credores”

O candidato derrotado, após suas declarações de final de campanha deve se afastar, manter um perfil baixo, e se possível, tirar uns dias de férias para recuperar-se e retornar à vida normal. Mais uma razão para que uma equipe de auxiliares fiéis, de confiança absoluta, e competentes, encarreguem-se destas tarefas.

O que importa, entretanto, é que o trabalho seja bem feito. Não se esqueça nunca que, A derrota é o começo da nova campanha. Liquidar bem a campanha perdida é também o primeiro passo do início da nova campanha.

O crédito não honrado nesta campanha, se transforma na recusa de auxiliar na próxima; o pagamento de profissionais que não for feito agora, se transforma na recusa para trabalhar na próxima, ou exigência de pagamento antecipado; os agradecimentos que não forem feitos agora, não serão esquecidos quando, na próxima, você for pedir auxílio e apoio; as pendências judiciais mal resolvidas agora, retornarão na próxima campanha como material de acusação.

Não se trata apenas de liquidar a campanha, desativar a organização e descontinuar os trabalhos. Trata-se também de manter a sua reputação de seriedade e confiabilidade, para próximas campanhas. Sobretudo não se esqueça de agradecer.

A frustração da derrota parece ter o efeito de justificar tudo, mas de fato não o tem. Não se esqueça que houve pessoas que confiaram em você, que lhe deram parte de seu tempo, que se expuseram socialmente, que trabalharam por você sem ganhar nada.

Estas pessoas merecem uma carta sua, assinada pessoalmente, e, em alguns casos telefonemas e visitas pessoais. É no seu pior momento que você mostra suas melhores qualidades. A gratidão e o reconhecimento, nas condições de derrota, são sinais de grandeza e de sensibilidade.

De tudo, o mais importante é ter sua contabilidade bem-feita, de acordo com as exigências legais, para que nas próximas campanhas não tenha o dissabor de ter de dar explicações sobre o financiamento da campanha.