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Preserve e defenda a sua reputação a qualquer custo

Na política, a percepção é mais importante que a realidade. Na verdade, na política, a percepção é a realidade. Este processo não é exclusivo do mundo político. De maneira geral, qualquer matéria que seja remota da nossa vida pessoal, das nossas experiências, tende a ser avaliada e julgada mais por percepções do que pela realidade.

Por isso, nas matérias relativas à vida pessoal, as pessoas têm um conhecimento de “primeira mão”, sabem. Já nas matérias remotas da experiência individual, têm opiniões, “acham que….”.

Como a política lida com o coletivo, com aquilo que se refere à sociedade, a possibilidade de um indivíduo comum chegar a adquirir um conhecimento preciso da realidade política é muito pequena. A percepção adquire, então, na política, uma posição de absoluta centralidade.

Os indivíduos tendem a julgar e fazer suas escolhas pelo que percebem, o que não corresponde, necessariamente, à verdade e à realidade. Por isso os pensadores que estudaram a política pelo ângulo da realidade de sua prática e não pelo plano dos desejos, dos ideais e da imaginação, sempre aconselharam: “Seja, mas também pareça”.

Na vida social e, como decorrência, na vida política, julga-se muito mais pelas aparências do que pela realidade, pela simples razão de que aparências são adotadas conscientemente para serem vistas, percebidas, enquanto a realidade de cada pessoa é matéria de intimidade e reserva.

A reputação pode ser construída e enriquecida ao longo de toda uma carreira política

A reputação de um político, portanto, constrói-se, em grande medida, sobre aparências, embora, se estas aparências não estiverem lastreadas numa razoável base de veracidade, elas tendem a ser, mais cedo ou mais tarde, desmascaradas. Por isso, a frase citada deve também ser lida como “pareça, mas também seja”.

Nossa vida pessoal, nossas experiências, tendem a ser avaliadas e julgadas mais por percepções do que pela realidade

E o político é julgado basicamente por sua reputação. A reputação, uma vez adquirida, adere à imagem do político de tal forma que ele se torna prisioneiro dela, porque ela cria uma expectativa permanente sobre o seu comportamento. Uma vez adquirida, ela é a sua personalidade pública. Você deverá sempre confirmá-la e jamais poderá permitir que ela seja abalada.

Por estas razões, é mais difícil mudar uma reputação para melhor, assim como é muito fácil mudá-la para pior. Isto ocorre porque a reputação não pertence ao político, ela é uma criação social que adere à pessoa do político. Uma vez socialmente estabelecida, ela não mais lhe pertence. Seus atos e declarações serão sempre medidos contra ela, podendo reforçá-la ou destruí-la.

Uma reputação sólida protege o político no traiçoeiro mundo das aparências. Ela lhe confere um certo grau de controle sobre como o mundo o vê e o julga. Mais ainda, uma reputação solidamente estabelecida precede o político, e se ela inspira respeito, grande parte do seu poder já é reconhecido, antes mesmo que você faça ou diga alguma coisa.

A reputação, é importante lembrar, pertence ao mundo das percepções e não da realidade. Por isso, ela pertence aos outros e não a você, por isso você pode perdê-la. O político prudente protege e defende sua reputação como sua própria vida. Na verdade, ela é a sua vida política. A reputação é a realidade do político. Esta é uma lei da política, que não admite exceções.

Ao ser atacado na sua reputação, ou ao permitir que se forme uma reputação negativa a seu respeito, você está sendo atacado mortalmente no mundo político. Ao não se preocupar como você é percebido pelas pessoas, você está deixando para outros decidir qual será a sua reputação.

Há que distinguir entre dois momentos. Num primeiro momento cabe a você construir a sua reputação, por seus atos, declarações e comportamentos. Com tempo e respeito pela coerência, ela acaba por se fixar.

Não estrague sua reputação, pois ela é a realidade do político. Esta é uma lei da política, que não admite exceções.

Num segundo momento, uma vez socialmente estabelecida, ela deixa de pertencer-lhe, para ser socialmente apropriada. A reputação que você buscar estabelecer deve ser simples, socialmente importante e compatível com sua personalidade total.

Escolha uma combinação de qualidades socialmente apreciadas, e politicamente admiradas, como firmeza, coragem, eficiência, ou sensibilidade social, simplicidade e trabalho, ou tantas outras, mas não esqueça nunca de associar a elas a virtude da honestidade. Construa sua carreira dando provas de sua dedicação àquelas qualidades, não somente na retórica, mas principalmente por ações.

Com a passagem do tempo, e com a experiência adquirida em outras funções públicas, você vai agregar outras qualidades aquele conjunto inicial, ou reduzir a importância de alguma pelo acréscimo de outra, desde que não sejam contraditórias. Um prefeito, ao se eleger, não necessita ter a reputação de ser um estadista, mas se vier a ser candidato a Presidente, ou a presidente de uma Casa Legislativa, aquela qualidade precisará ser agregada.

Como se vê, a reputação pode ser construída e enriquecida ao longo de toda uma carreira política. Ela reproduz o progresso do político frente a novas e maiores responsabilidades. Mas atenção, sem jamais abandonar aquelas virtudes básicas de natureza ética. Qualidades técnicas e profissionais podem ser agregadas e até intercambiadas, conforme a função que você está exercendo.

Qualidades éticas não aceitam esta flexibilidade. Elas são permanentes, desde o início de sua carreira até o mais elevado patamar que você venha a atingir, como político.