Existe guerra quando há um conflito radical entre dois adversários numa disputa decisiva (isto é uma disputa na qual o vencedor conquista o objetivo buscado e afasta o derrotado, dele subtraindo as condições de competitividade).

Conflitos não são necessariamente inevitáveis. Muitos podem ser evitados, outros podem ser resolvidos pelo diálogo. Há, entretanto certos conflitos que são inevitáveis porque, sendo mutuamente excludentes (isto é somente o vencedor poderá se apropriar do objetivo desejado) não há espaço para negociação, acordo ou transigência.

O príncipe sábio deve ser capaz de prever com a devida antecipação situações de conflito que, mais cedo ou mais tarde, vão se agravar e exigir uma solução. Diante dessa situação previsível há duas maneiras de lidar com ela: “ganhar tempo” ou “tomar a iniciativa”.

Meu conselho: Siga o exemplo dos romanos.

“Precavidos, os romanos conjuraram sempre os perigos antes que eles aumentassem, mesmo ao custo de uma guerra, pois sabiam que as guerras não se evitam adiando-as e, se forem adiadas, beneficiarão o adversário. Guerrearam contra Felipe e Antíoco na Grécia para não ter mais tarde que lutar contra ambos na Itália. Era fácil para eles evitar as guerras, mas não o fizeram, nem deram importância à antiga máxima dos sábios dos nossos dias de que “convém ganhar tempo”
(O Príncipe – Maquiavel)

Blog do MaquiavelTextos escritos pelo prof. Francisco Ferraz nos quais um fictício Maquiavel responde dúvidas, questões e sentimentos que sua obra “O Príncipe” causou em quem a leu, e na quase totalidade o criticam por sua concepção negativa da natureza humana e sua brutalidade e amoralismo na política.