Não há regra mais importante na comunicação política do que a clareza. A política depende do falar: discursar, argumentar, conversar. Não basta, entretanto, usar da palavra para o candidato dizer o que quer da forma que bem entender. Se ele não falar de forma a ser entendido pelos eleitores sua comunicação não vai funcionar.

Neste aspecto, a linguagem política se diferencia radicalmente da linguagem usada em outras profissões como ocorre na medicina, na química e nas ciências da natureza. Essas ciências possuem uma terminologia que só os iniciados nela, seus praticantes, entendem.

Assim, para um químico o cobre, mercúrio e todos os demais elementos da química possuem as mesmas propriedades no Brasil e no Japão. Já o conceito de família possui traços constitutivos básicos bem diferentes em ambos os países.

Os termos políticos mais importantes para o desenvolvimento de teorias e para a análise e descrição dos eventos, são fartamente compartilhados com a linguagem do senso comum, o que acarreta mais imprecisão do que ocorre nas ciências da natureza…

Atente-se, por exemplo, para conceitos como poder, influência, conflito, interesses, consenso. O mesmo ocorre com o termo “futuro” indispensável na linguagem da política. Quando um político usa este termo ele sabe a que período de tempo se refere. Mas, será que este período de tempo é o mesmo do eleitor que o escuta? Se não for a comunicação terá sido perdida.

Futuro

Políticos que quiserem ser entendidos por eleitores devem ter cuidado, por exemplo, com o uso da referência ao futuro na sua comunicação com o eleitor.

Quanto mais pobre o eleitor e quanto menor for a sua escolaridade, mais distante, remoto e até irrelevante parecer-lhe-á um conceito abstrato como futuro. O uso descuidado deste conceito soa-lhe muitas vezes como uma desculpa do candidato, para antecipadamente se justificar por não vir a fazer o prometido.

O futuro em campanha é um futuro muito próximo (1 a 2 anos talvez até 4 para certas matérias mais complicadas).

Falando do futuro próximo pode-se anexar algo sobre o futuro de mais longo prazo, mas este deve então ser pintado como grandioso, sem ser utópico. Não esquecer nunca que o eleitor é imediatista. Ele vai avaliar o realismo do grandioso (que o atrai) pela exequibilidade do que é prometido no curto prazo.

Ele sabe que esta convergência que faz o político (uma pessoa importante) procurá-lo (pessoa sem importância) é ocasional, curta e não duradoura. Por isso espera resultados imediatos e críveis.

É preferível oferecer menos do realizável em curto prazo, do que muito do que já foi por várias vezes prometido e não realizado, ou do que pareça ao eleitor pouco provável de se realizar no curto prazo.

O período máximo de realização da promessa feita na campanha é o tempo de mandato.

Ao fim deste, havendo a possibilidade de reeleição, pode-se então extrapolar os objetivos para o próximo período. Mas o contato político tem que ser estabelecido com a realidade atual. É a partir dela, que as melhorias serão julgadas como realizáveis ou não.

O mesmo vale para os demais conceitos abstratos e complexos como desenvolvimento, modernização, temas econômicos. Ou eles são trazidos para o presente e aproximados da realidade dos eleitores ou pouco ajudarão.