O trabalho de campo de uma campanha não desperta muito a atenção da mídia, como ocorre com a divulgação de resultados de pesquisa, debates e eventos.

Entretanto, o contato direto da campanha com o eleitor que o trabalho de campo enseja, continua sendo uma atividade de grande importância para vencer a eleição.

Com o advento dos programas gratuitos na TV e rádio, o trabalho de campo perdeu muito do seu status como instrumento de persuasão de eleitores, entretanto, seria desavisado minimizar o papel insubstituível que ele desempenha numa campanha.

Desde logo se impõe uma distinção. O trabalho de campo é tanto mais importante, quanto menor for a base populacional dentro da qual a eleição for disputada.

Assim, em eleições para prefeituras e legislativos de cidades pequenas e médias, o trabalho de campo é indispensável. O eleitor espera ter alguma forma de contato com o candidato, ainda que através de sua campanha.

Já nas eleições para o governo e legislativo dos estados e legislativo federal, o trabalho de campo ainda retém sua importância, mas a expectativa do eleitor já é bem menor. Ele espera que o candidato dê a devida atenção à sua cidade (cidades médias e grandes) ou à sua região.

O eleitor sabe que o candidato tem que cobrir um espaço muito grande, que é desproporcional ao tempo de campanha. Ele desobriga o candidato do contato pessoal, mas dificilmente perdoa se ele não der atenção à sua região ou cidade.

Finalmente, nas eleições para a Presidência da República, o trabalho de campo perde importância dramaticamente. O eleitor restringe sua expectativa a visitas ao seu estado, à repercussão pela mídia local, e conforma-se em ficar na dependência da mídia eletrônica para acompanhar a campanha do seu candidato preferido.

Nas situações em que o trabalho de campo retém a sua importância o candidato deve utilizá-lo intensivamente para poder beneficiar-se das funções que ele exerce, e para as quais não há substituto ou sucedâneo.

As funções do trabalho de campo

Recrutamento de voluntários

A área de atuação dos voluntários é principalmente o trabalho de campo. Há voluntários mais especializados que podem trabalhar na sede da campanha, mas a massa dos voluntários deve sempre ser dirigida para o trabalho com os eleitores.

Por voluntários entenda-se, pessoas que gratuitamente oferecem parte do seu tempo para trabalhar na campanha. Em geral estas pessoas são jovens, que se sentem atraídos pela excitação geral produzida pela campanha eleitoral, pelo status que adquirem e pelo aspecto lúdico que ela irremediavelmente possui.

Distribuição de literatura e material de campanha:

O trabalho de campo permite a ampla distribuição personalizada de literatura da campanha, na rua e de porta em porta, ensejando oportunidades de contato e de conversa, das quais podem surgir apoios novos e inesperados. Nesses contatos pode se conseguir a licença para colar cartazes, sugestões de nomes para contatar, e inclusive ideias, reivindicações, informações e propostas com as quais a campanha pode enraizar-se melhor na rua/bairro/cidade/região.

Contato candidato/eleitor (corpo a corpo)

O chamado “corpo a corpo” é trabalho de campo por excelência. Melhores serão seus resultados se o candidato visitar locais que já foram visitados pelos voluntários. Neste caso, o candidato terá informações precisas e individualizadas sobre os eleitores, seus problemas e expectativas.

Demonstração de “volume” da campanha

O eleitor anda pelas ruas, olha os cartazes, as pichações de muros, os panfletos e vai formando sua impressão sobre a força do candidato pela sua presença nas ruas. A mais forte demonstração de presença nas ruas é dada pelas pessoas que distribuem seus “santinhos” e adesivos e acenam suas bandeiras. A necessidade de mostrar “volume” é tão grande e tão óbvia que, nas grandes cidades, candidatos pagam indivíduos para fazerem este trabalho de campo. Esta movimentação de rua, que deve ir num crescendo de menos para mais na medida em que o dia da eleição se aproxima, é a mais eloquente afirmação da força de uma candidatura.

Carreatas, caminhadas, shows, comícios também são demonstrações de força e de volume que o eleitor observa e registra. Sobretudo no dia da eleição, contar com voluntários nas ruas, acenando bandeiras e distribuindo material, aparece para o eleitor como uma campanha que acredita que vai vencer e funciona como um incentivo adicional para atrair seu voto, caso ainda esteja em dúvida.

Criar cenas para uso em comerciais e programas

O trabalho de campo também proporciona cenas da campanha em ação, do candidato com eleitores, de multidões aplaudindo, de jovens entusiasmados, que serão aproveitadas em fotos, vídeos e nos programas de TV para repercutir, junto a um público muito maior, a imagem de uma campanha que tem “volume” nas ruas, de uma campanha vencedora.